O ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta terça-feira (10) um pedido formal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando autorização para receber a visita de um assessor sênior do governo dos Estados Unidos ligado à administração do ex-presidente norte-americano Donald Trump. O encontro, caso seja autorizado, ocorreria enquanto Bolsonaro cumpre prisão preventiva.
De acordo com a solicitação apresentada à Corte, a visita está prevista para acontecer ainda neste mês, em datas específicas que foram indicadas à Justiça. Como determina o protocolo de custódia aplicado a investigados em prisão preventiva, encontros com pessoas que não sejam familiares diretos como cônjuges ou filhos dependem de autorização prévia do relator do processo no STF.
A defesa do ex-presidente argumenta que o encontro teria caráter institucional e diplomático. Segundo o documento encaminhado ao gabinete do ministro, Bolsonaro pretende tratar de temas políticos e de interesse internacional com o representante norte-americano, além de discutir assuntos relacionados ao cenário político entre Brasil e Estados Unidos.
Em manifestação anexada ao pedido, Bolsonaro afirmou que o diálogo com o assessor estrangeiro seria importante para manter interlocução com lideranças internacionais. “Trata-se de uma conversa de natureza política e diplomática, dentro de um contexto de relações institucionais que mantenho com representantes estrangeiros”, declarou o ex-presidente no requerimento.
O pedido também prevê que o encontro ocorra fora do horário regular de visitas estabelecido no local onde o ex-presidente está custodiado. A justificativa apresentada pela defesa é de que a agenda do assessor norte-americano no Brasil seria restrita, o que exigiria flexibilidade no horário da eventual reunião.
Interlocutores próximos ao ex-presidente afirmam que a intenção da visita é discutir temas relacionados ao cenário político internacional e possíveis alinhamentos estratégicos entre setores conservadores dos dois países. Ainda assim, os detalhes sobre quem seria o assessor e qual cargo ele ocupa na estrutura política ligada a Trump não foram oficialmente divulgados.
No entanto, a autorização depende exclusivamente da avaliação do ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condução dos processos relacionados ao ex-presidente no Supremo. A legislação e as normas de custódia determinam que qualquer visita fora do círculo familiar deve ser previamente analisada pela autoridade judicial responsável pelo caso.
Até o momento, o STF não informou quando deverá analisar o pedido. Nos bastidores jurídicos, a expectativa é que a decisão seja tomada nos próximos dias, considerando a proximidade das datas sugeridas para a possível visita.
Caso o encontro seja autorizado, a reunião poderá representar um episódio incomum na rotina de um investigado em prisão preventiva, sobretudo envolvendo interlocução com um representante estrangeiro ligado a uma liderança política internacional como Donald Trump. Enquanto aguarda a decisão do STF, a defesa de Bolsonaro afirma que permanece à disposição da Justiça para fornecer eventuais esclarecimentos adicionais sobre a solicitação.





