A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve decidir nesta quarta-feira (13) se mantém ou revoga a medida que determinou a suspensão e o recolhimento de produtos da marca Ypê fabricados na unidade da Química Amparo, localizada no município de Amparo, interior paulista.
A análise será feita pelos cinco diretores que compõem o colegiado da agência reguladora. A reunião está prevista para começar às 14h e terá como foco o recurso administrativo protocolado pela fabricante após a publicação da medida sanitária.
Embora a suspensão tenha sido determinada pela Anvisa na última semana, os efeitos da decisão estão temporariamente suspensos devido à apresentação do recurso pela empresa. Ainda assim, a Química Amparo informou que optou por manter a paralisação voluntária da produção dos itens afetados até que a agência conclua a nova avaliação técnica.
Na terça-feira (12), representantes da Anvisa e da fabricante se reuniram para discutir as providências adotadas pela empresa desde a determinação do recolhimento. Segundo a Ypê, foram implementadas 239 ações corretivas voltadas à adequação dos processos industriais e ao reforço dos protocolos de controle de qualidade.
Em nota oficial, a empresa afirmou que o recurso encaminhado à agência busca complementar as informações técnicas já apresentadas e reafirmar o compromisso com as exigências sanitárias.
“A Ypê informa que apresentou na data de ontem um recurso perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, com o objetivo de reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade e, ao mesmo tempo, apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução-RE n. 1.834/2026”, informou a companhia.
A medida da Anvisa atinge diferentes categorias de produtos de limpeza, entre elas detergentes, sabões líquidos e desinfetantes. Conforme orientação da agência, consumidores devem evitar o uso de itens cujos lotes terminem com o número 1, incluídos na determinação de recolhimento.
A decisão foi motivada por irregularidades identificadas durante inspeções na fábrica da Química Amparo. De acordo com a Anvisa, foram constatadas falhas em etapas consideradas críticas do processo produtivo, incluindo deficiências nos sistemas de controle operacional e garantia da qualidade.
Entre os principais pontos de preocupação está o risco de contaminação microbiológica dos produtos. A agência apontou a possível presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, microrganismo que não deve estar presente em saneantes e que pode representar ameaça à saúde, especialmente em pessoas com imunidade comprometida.
O resultado da votação desta quarta-feira poderá definir os próximos passos da fabricante e impactar diretamente a distribuição dos produtos em todo o país.





