O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (1º) a candidatura do senador Sergio Moro ao Governo do Paraná durante convenção estadual realizada em Curitiba. O evento reuniu lideranças políticas, parlamentares, prefeitos, vereadores, filiados e apoiadores da legenda, consolidando o nome do ex-juiz da Operação Lava Jato como o representante do partido na disputa pelo Palácio Iguaçu nas eleições de 2026.
Na mesma convenção, o PL confirmou o empresário Edson Vasconcelos como candidato a vice-governador, compondo a chapa majoritária que buscará conquistar o comando do Executivo paranaense. Para a disputa pelas duas vagas ao Senado Federal, a legenda apresentou o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), fortalecendo a estratégia da direita no estado.
A oficialização da candidatura representa um dos principais movimentos políticos do cenário eleitoral paranaense. Sergio Moro chega à corrida pelo governo figurando entre os principais nomes da disputa e aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, consolidando-se como um dos favoritos na sucessão estadual.
Entre os adversários estão Requião Filho (PDT), que contará com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), e Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). A chapa governista terá ainda como candidato a vice-governador o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), ampliando a articulação de forças em torno da continuidade da atual gestão estadual.
Além do apoio do PL, Sergio Moro conta, neste momento, com o respaldo político do Podemos e do Novo, ampliando sua base de sustentação para a campanha eleitoral. O empresário Edson Vasconcelos, escolhido para compor a chapa como vice-governador, também participa diretamente da elaboração do plano de governo que será apresentado oficialmente ao longo da campanha.
A candidatura de Moro tornou-se viável após sua filiação ao Partido Liberal, em março deste ano. O senador deixou o União Brasil em meio a divergências internas envolvendo a federação partidária com o Progressistas (PP), cenário que dificultava a construção de sua candidatura ao Governo do Paraná. A mudança de legenda permitiu sua integração ao projeto político do PL no estado e fortaleceu o palanque presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa nacional.
A entrada de Sergio Moro no Partido Liberal também simboliza uma reaproximação com o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, Moro deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no início do governo Bolsonaro, cargo que ocupou entre janeiro de 2019 e abril de 2020.
A saída do ministério ocorreu após divergências envolvendo a substituição do então diretor-geral da Polícia Federal e a exoneração do superintendente da corporação no Rio de Janeiro, Maurício Valeixo. Na época, Moro afirmou que a decisão representava uma tentativa de interferência política na Polícia Federal, episódio que provocou forte desgaste entre os dois e culminou em seu desligamento do governo.
Após deixar o Executivo federal, Sergio Moro buscou viabilizar uma candidatura à Presidência da República e passou a fazer críticas públicas ao então presidente Jair Bolsonaro. Durante esse período, afirmou que Bolsonaro havia rompido compromissos assumidos durante a campanha eleitoral, questionou declarações do ex-presidente e chegou a mencionar investigações relacionadas ao caso das chamadas “rachadinhas”, que envolviam o senador Flávio Bolsonaro.
Anos depois, entretanto, o cenário político mudou significativamente. A filiação de Moro ao PL marca uma nova etapa de sua trajetória política, agora alinhado ao projeto eleitoral da legenda e integrando a estratégia nacional do partido para as eleições de 2026. A campanha deverá concentrar esforços em temas como segurança pública, combate à corrupção, desenvolvimento econômico e modernização da gestão estadual, pautas que tradicionalmente acompanham o discurso político do senador.
Com o início oficial da campanha, o Paraná se prepara para uma das disputas estaduais mais acompanhadas do país, reunindo nomes de forte expressão política e alianças que prometem influenciar também o cenário nacional.
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