A candidata ao Senado pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL-DF) divulgou nesta quarta-feira (16) um comunicado em resposta às declarações feitas pelo também candidato Sebastião Coelho (Novo), que foram publicadas em entrevista nas redes sociais e posteriormente repercutidas por veículos de comunicação do Distrito Federal. Em sua manifestação, Michelle afirmou ter recebido as declarações com surpresa e disse que decidiu se pronunciar para esclarecer pontos que, segundo ela, poderiam provocar interpretações equivocadas, divisão e confusão entre os eleitores.
A manifestação ocorre em meio à disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado nas eleições de 2026 e acrescenta um novo capítulo ao debate entre candidaturas que integram diferentes setores do cenário político brasiliense. Segundo Michelle, seu objetivo ao divulgar a nota não seria ampliar o conflito, mas apresentar sua versão sobre os questionamentos levantados publicamente.
Um dos principais pontos abordados pela candidata foi a origem de sua candidatura e da candidatura da deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Michelle afirmou que as duas candidaturas foram definidas por Jair Bolsonaro e declarou que o ex-presidente costuma se referir à composição como “a chapa do coração”.
De acordo com a candidata, a participação de Jair Bolsonaro também esteve presente na definição dos nomes que integram sua chapa. Michelle afirmou que a escolha de seu primeiro suplente foi feita pelo próprio ex-presidente, enquanto a definição da segunda suplência teria sido discutida estrategicamente entre os dois.
Michelle nega possibilidade de deixar eventual mandato no Senado
Outro ponto central do comunicado foi a negativa de que exista um acordo para que Michelle, caso eleita, deixe posteriormente o Senado para assumir uma eventual função em um governo.
A candidata classificou essa possibilidade como falsa e afirmou que pretende exercer o mandato para o qual está concorrendo. Segundo sua manifestação, caso receba a confiança dos eleitores do Distrito Federal, sua intenção é permanecer no Senado e cumprir as atribuições inerentes ao cargo.
A declaração responde diretamente a uma das questões levantadas por Sebastião Coelho em suas críticas à campanha de Michelle. O candidato do Novo havia questionado a atuação das candidaturas de Michelle e Bia Kicis e feito referências aos suplentes escolhidos pelas adversárias.
A resposta de Michelle, portanto, procura estabelecer de maneira pública sua posição sobre o futuro de um eventual mandato e afastar a possibilidade de que sua candidatura seja utilizada como caminho para uma futura ocupação de outro cargo.
Cuidados com Jair Bolsonaro são apontados como fator de restrição da campanha
Michelle também dedicou parte significativa do comunicado para explicar as limitações que, segundo ela, vêm afetando sua agenda eleitoral.
A candidata afirmou que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) fizeram com que ela seja atualmente a única pessoa autorizada a cuidar diretamente de Jair Bolsonaro. Em razão disso, segundo seu relato, sua rotina envolve acompanhamento de atividades relacionadas à alimentação, medicamentos e tratamento do ex-presidente.
Michelle argumentou que essas responsabilidades reduzem o tempo disponível para compromissos eleitorais e restringem seus deslocamentos durante a campanha.
A questão já havia aparecido no contexto da campanha eleitoral. Na semana passada, Michelle justificou sua ausência em um debate promovido pelo g1 justamente pelo conflito entre os horários da agenda eleitoral e os cuidados que presta ao marido.
Além disso, uma decisão recente autorizou outros familiares a visitarem Jair Bolsonaro durante os períodos em que Michelle estiver ausente, medida que também foi relacionada à necessidade de facilitar sua participação em atividades eleitorais.
Candidata fala em esperança e defesa dos mais vulneráveis
Na parte final da manifestação, Michelle adotou tom voltado à mensagem que pretende apresentar ao eleitorado durante a campanha. A candidata afirmou que deseja levar às ruas uma mensagem de alegria e esperança, procurando associar sua candidatura a uma proposta de atuação política voltada especialmente às pessoas consideradas mais vulneráveis.
Michelle também afirmou que, caso seja eleita, pretende trabalhar pela defesa da Constituição e das leis, além de defender segurança jurídica e equilíbrio entre os Poderes.
As declarações colocam no centro do discurso da candidata temas institucionais que têm marcado sua campanha ao Senado, ao mesmo tempo em que reforçam sua vinculação política com Jair Bolsonaro e com o grupo que sustenta sua candidatura.
Disputa pelo Senado no DF
O episódio ocorre em um momento de intensa movimentação na disputa pelas duas cadeiras que o Distrito Federal elegerá para o Senado em 2026.
Pesquisa RealTime Big Data divulgada em 9 de setembro apontou Michelle com 26% das intenções de voto, seguida por Leila do Vôlei (PDT) e Bia Kicis (PL), ambas com 17%, e Erika Kokay (PT), com 15%. Sebastião Coelho aparecia com 10%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 4 e 8 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o protocolo DF-09600/2026.
Já pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro apresentou outro retrato do cenário: Michelle registrou 21%, Leila do Vôlei 18%, Bia Kicis 15% e Erika Kokay 14%. O levantamento ouviu 910 eleitores entre 8 e 11 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
Os diferentes levantamentos mostram que o cenário eleitoral permanece sujeito a mudanças ao longo da campanha e que a disputa envolve um conjunto amplo de candidaturas.
Nesse contexto, a manifestação divulgada por Michelle acrescenta novos elementos ao debate eleitoral no Distrito Federal. Ao responder publicamente às declarações de Sebastião Coelho, a candidata buscou esclarecer sua posição sobre a origem de sua candidatura, a composição da chapa, a possibilidade de exercer integralmente um eventual mandato e as razões apresentadas para explicar o ritmo de sua campanha.
A resposta também evidencia como questões relacionadas à rotina de Jair Bolsonaro, às decisões judiciais e à organização das candidaturas passaram a ocupar espaço no debate eleitoral do Distrito Federal. A partir de agora, os posicionamentos apresentados pelos candidatos deverão continuar sendo confrontados pelos eleitores durante o período de campanha, em uma disputa que reúne diferentes projetos e visões para a representação do Distrito Federal no Senado.






