A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a atuação de advogados criminalistas provocou forte reação da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP). Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (31), a entidade manifestou repúdio às afirmações feitas pelo chefe do Executivo durante participação no podcast Inteligência Ltda., classificando o posicionamento como um “preconceito inaceitável” em relação à advocacia criminal e às garantias previstas na Constituição Federal.
A polêmica teve início durante entrevista concedida por Lula na quinta-feira (30), quando o presidente declarou que “advogado criminalista não sabe defender inocente” e que “criminalista defende bandido”. As falas repercutiram rapidamente entre representantes da comunidade jurídica, reacendendo o debate sobre o papel constitucional da advocacia na garantia do direito à ampla defesa e ao devido processo legal.
Em resposta, a OAB-SP enfatizou que a advocacia criminal exerce uma função essencial para a manutenção do Estado Democrático de Direito, destacando que o trabalho do criminalista não consiste em defender crimes ou criminosos, mas sim assegurar que qualquer cidadão tenha seus direitos constitucionais respeitados durante um processo judicial.
Na nota, a entidade ressaltou que “advogado criminalista não defende o crime; defende a Constituição, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, garantias fundamentais asseguradas a todos os cidadãos”. Para a Ordem, declarações que reforçam estigmas contra a advocacia contribuem para a desinformação da sociedade e fragilizam princípios fundamentais da democracia brasileira.
A repercussão ocorre em um momento de intensa movimentação política. A entrevista marcou o retorno de Lula aos podcasts justamente no período que antecede a oficialização de sua candidatura à reeleição. A convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), responsável por confirmar oficialmente a candidatura do presidente, está marcada para este domingo (2), em São Paulo.
Durante a campanha presidencial de 2022, Lula utilizou os podcasts como uma das principais ferramentas para ampliar sua comunicação com o eleitorado, participando de diferentes programas de grande alcance nas redes sociais. Já ao longo do atual mandato, suas participações nesse formato tornaram-se menos frequentes. Entre as poucas entrevistas concedidas nos últimos meses estão as participações nos podcasts Mano a Mano, apresentado pelo rapper Mano Brown, e Papo de Crente, voltado ao público evangélico.
A presença no Inteligência Ltda. também faz parte da estratégia de comunicação da campanha à reeleição e ocorre em meio às discussões internas sobre a agenda eleitoral do presidente. Um dos temas em análise é sua participação nos debates televisivos promovidos durante o período eleitoral.
Até o momento, a coordenação da campanha ainda não confirmou se Lula participará do primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, previsto para o dia 23 de agosto e organizado pela TV Bandeirantes. A definição é considerada estratégica pela equipe responsável pela campanha, que avalia o calendário e os impactos da participação do presidente nos confrontos diretos com os adversários.
Enquanto isso, as declarações envolvendo a advocacia criminal continuam repercutindo entre juristas, entidades de classe e especialistas em Direito, ampliando o debate sobre os limites do discurso político e o reconhecimento da função constitucional desempenhada pelos advogados na defesa dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos.
Acompanhe a matéria completa, além das principais notícias nacionais e internacionais, no www.portalnoticiasbahia.com.br.






