A proposta que prevê a redução da jornada máxima de trabalho no Brasil deve avançar nas próximas semanas na Câmara dos Deputados. O relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), afirmou nesta quarta-feira (11) que o parecer sobre a matéria deverá ser votado pelo colegiado no mês de abril.
A declaração foi feita durante reunião da Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios e sinaliza uma mudança no cronograma inicialmente previsto para a análise da proposta. Até então, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vinha indicando que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6×1 modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter um dia de descanso poderia ser analisada pela CCJ ainda em março.
Segundo o relator, o novo calendário busca garantir mais tempo para debates técnicos e avaliação jurídica da proposta antes da votação. “A ideia é que possamos concluir a análise de constitucionalidade com responsabilidade, garantindo segurança jurídica para que a proposta avance para as próximas etapas”, afirmou Paulo Azi.
Primeira etapa da tramitação
A Comissão de Constituição e Justiça é responsável por analisar se a proposta está de acordo com os princípios estabelecidos pela Constituição Federal. Nessa fase inicial, os parlamentares não discutem o mérito da proposta ou seja, não avaliam se concordam ou não com a redução da jornada de trabalho nem apresentam mudanças no conteúdo do texto.
A função do colegiado é verificar apenas se a matéria atende aos requisitos constitucionais e se pode continuar tramitando no Congresso Nacional. Caso a admissibilidade seja aprovada, a proposta seguirá para a próxima fase do processo legislativo.
Próxima etapa: comissão especial
De acordo com o relator, caso a PEC seja aprovada pela CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta, deverá encaminhar o texto diretamente para a criação de uma comissão especial. Esse novo colegiado terá a responsabilidade de discutir o conteúdo da proposta em profundidade e poderá apresentar alterações, emendas e ajustes ao texto original.
A expectativa apresentada por Paulo Azi é que a comissão especial seja instalada no mês de maio. Nessa fase, o debate tende a se ampliar, envolvendo representantes do setor produtivo, especialistas em relações de trabalho, sindicatos e entidades empresariais.
Meta é votar antes do recesso parlamentar
Nos bastidores da Câmara, a intenção da presidência da Casa é acelerar a tramitação para que a proposta possa ser votada no plenário antes do recesso parlamentar do meio do ano. O recesso costuma ocorrer em julho, período que também coincide com o início mais intenso do calendário eleitoral.
Segundo relatos do relator, Hugo Motta sinalizou que pretende concluir a análise da matéria na Câmara ainda no primeiro semestre. Caso o cronograma seja mantido, a PEC poderá chegar ao plenário entre junho e julho.
Se aprovada pelos deputados, a proposta seguirá para análise do Senado Federal, onde também precisará passar por comissões e por duas votações em plenário.
Debate nacional sobre jornada de trabalho
A discussão sobre a redução da jornada máxima de trabalho e o fim da escala 6×1 tem ganhado força nos últimos meses no Congresso e na sociedade. Os defensores da proposta argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e acompanhar tendências adotadas em diversos países.
Por outro lado, setores empresariais manifestam preocupação com possíveis impactos econômicos, principalmente sobre custos operacionais e produtividade. Por isso, o debate promete mobilizar intensamente parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil nas próximas etapas da tramitação.
Com a previsão de votação na CCJ em abril, a proposta entra em uma fase decisiva dentro da Câmara dos Deputados, dando início a um processo que pode resultar em mudanças significativas nas regras da jornada de trabalho no Brasil.





