O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria disposto a transformar a tarifa zero no transporte público em uma das principais propostas de seu plano de governo para a disputa eleitoral de outubro. A iniciativa, segundo informações divulgadas pela jornalista Lis Cappi, do portal R7, vem sendo discutida nos bastidores do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) como uma das principais novidades da campanha, com potencial para impactar diretamente a mobilidade urbana e o orçamento de milhões de brasileiros.
De acordo com a apuração, Lula teria determinado, ainda meses atrás, que diferentes áreas do governo realizassem estudos técnicos para avaliar a viabilidade econômica, jurídica e operacional da implantação da gratuidade no transporte coletivo em todo o país. A proposta busca ampliar o debate sobre o financiamento da mobilidade urbana e reduzir a dependência da cobrança de tarifas pagas pelos passageiros.
Nos bastidores do governo, a avaliação é de que o acesso gratuito ao transporte coletivo pode representar uma política pública de grande alcance social, beneficiando principalmente trabalhadores, estudantes e pessoas de baixa renda que destinam parte significativa do orçamento familiar ao deslocamento diário.
As análises conduzidas pela equipe técnica também incluem alternativas para financiar a medida sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Apesar disso, a tendência é que o plano de governo apresente apenas as diretrizes gerais da proposta, deixando a definição do modelo de implementação para uma etapa posterior, por meio de diálogo entre União, estados, municípios, especialistas e representantes do setor de transporte.
Um dos principais desafios apontados pelos estudos é o custo estimado da política pública. As projeções indicam que a implantação da tarifa zero em escala nacional exigiria aproximadamente R$ 90 bilhões por ano. Em contrapartida, levantamentos desenvolvidos por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontam que os usuários poderiam economizar cerca de R$ 45,6 bilhões anuais, recursos que poderiam ser redirecionados ao consumo, fortalecendo a atividade econômica e ampliando o poder de compra das famílias.
A discussão ocorre em um momento em que o governo federal também busca modernizar o sistema de transporte coletivo brasileiro. Recentemente, foi sancionado o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, legislação que amplia as possibilidades de financiamento dos sistemas urbanos e reduz a dependência exclusiva da tarifa paga pelos passageiros, criando um ambiente considerado mais favorável para futuras políticas de incentivo à gratuidade do transporte.
Especialistas avaliam que a adoção da tarifa zero exigirá ampla articulação entre os entes federativos, além da definição de fontes permanentes de financiamento para garantir a sustentabilidade do sistema e a manutenção da qualidade dos serviços prestados à população.
Caso seja oficialmente incorporada ao programa eleitoral, a proposta deverá ocupar espaço central no debate sobre mobilidade urbana durante a campanha, ao lado de temas como geração de empregos, reforma tributária, saúde, educação e segurança pública.
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