A divulgação da chamada soroterapia pela influenciadora digital e empresária Virginia Fonseca reacendeu o debate sobre a segurança e a eficácia desse tipo de tratamento no Brasil. Após a repercussão do procedimento, realizado por Virginia durante uma viagem aos Estados Unidos e compartilhado com milhões de seguidores, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) divulgou um alerta oficial chamando a atenção para os riscos da prática e reforçando que os benefícios frequentemente prometidos não possuem respaldo científico.
A manifestação do Cremego ocorre em um momento em que tratamentos voltados ao bem-estar, rejuvenescimento e melhoria do desempenho físico vêm conquistando espaço nas redes sociais, impulsionados principalmente por influenciadores digitais e celebridades. Para especialistas, entretanto, a popularização dessas terapias pode levar muitas pessoas a buscar procedimentos sem a devida orientação médica e sem conhecimento dos possíveis efeitos adversos.
A soroterapia, também conhecida como terapia nutricional endovenosa, consiste na administração de vitaminas, minerais, aminoácidos e outros compostos diretamente na corrente sanguínea por meio de infusão intravenosa. Embora existam indicações médicas específicas para a utilização da terapia intravenosa em pacientes com determinadas doenças ou deficiências nutricionais comprovadas, o Cremego destaca que seu uso para fins estéticos, melhora da disposição, rejuvenescimento ou prevenção de doenças não encontra respaldo em evidências científicas consistentes.
De acordo com o conselho, a utilização indiscriminada desse tipo de procedimento pode provocar complicações importantes, incluindo reações alérgicas, infecções, sobrecarga de órgãos como rins e fígado, alterações metabólicas e outras intercorrências potencialmente graves. O órgão enfatiza que qualquer tratamento intravenoso deve ser indicado apenas após avaliação médica criteriosa, levando em consideração o histórico clínico e as reais necessidades do paciente.
O alerta também destaca que a prática vem sendo questionada por diversas entidades médicas nacionais e internacionais, que apontam a ausência de estudos robustos capazes de comprovar os resultados frequentemente anunciados em campanhas publicitárias e nas redes sociais.
Além disso, o Cremego lembrou que o tema já é objeto de regulamentação pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece restrições para a utilização da soroterapia quando empregada com promessas de benefícios sem comprovação científica. A preocupação da classe médica é evitar que procedimentos sejam apresentados como soluções milagrosas para questões relacionadas à saúde e à estética.
Entre as promessas frequentemente associadas à soroterapia estão o rejuvenescimento, emagrecimento, aumento da disposição física, fortalecimento da imunidade, ganho de massa muscular, melhora do desempenho esportivo, combate à queda de cabelo e redução do cansaço. Segundo o conselho, essas alegações não possuem comprovação científica suficiente para justificar a adoção indiscriminada da técnica.
Especialistas ressaltam que a influência exercida por artistas e influenciadores digitais pode contribuir para que procedimentos médicos sejam interpretados pelo público como tratamentos seguros e eficazes, mesmo quando ainda não há consenso científico sobre seus benefícios. Por isso, entidades médicas reforçam a importância de que informações relacionadas à saúde sejam divulgadas com responsabilidade e baseadas em evidências.
O episódio envolvendo Virginia Fonseca reacendeu discussões sobre o impacto das redes sociais na disseminação de informações médicas e sobre a necessidade de maior conscientização da população quanto aos riscos da automedicação e da busca por tratamentos motivados apenas por tendências digitais.
O Cremego orienta que qualquer pessoa interessada em realizar terapias intravenosas procure orientação de profissionais habilitados e evite procedimentos divulgados como soluções rápidas para problemas de saúde ou estética sem respaldo científico. A recomendação é que tratamentos sejam indicados exclusivamente quando houver necessidade clínica comprovada, priorizando sempre a segurança do paciente e a medicina baseada em evidências.
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