A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro iniciou um movimento estratégico para consolidar o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro como marca comercial em diferentes segmentos do mercado brasileiro. O processo de registro, protocolado em julho de 2024 junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), teve a maior parte dos pedidos deferida, ou seja, aprovada com publicação oficial , abrindo caminho para a exploração do nome em atividades comerciais diversas.
A iniciativa sinaliza uma tentativa de transformar o capital político acumulado ao longo dos últimos anos em ativo econômico. Entre os segmentos contemplados estão produtos alimentícios, bebidas e até vaporizadores, dispositivos também conhecidos como “vapes” ou vaporizadores eletrônicos, o que indica uma possível entrada da marca no varejo em larga escala. Na prática, isso significa que o nome “Jair Bolsonaro” poderá estampar desde itens de consumo cotidiano até produtos de nicho, ampliando o alcance junto a diferentes perfis de consumidores.
Para conduzir o processo de registro marcário, Michelle Bolsonaro contratou uma empresa especializada sediada em Santa Catarina. O investimento inicial, que inclui taxas administrativas, gira em torno de R$ 1 mil, valor relativamente baixo diante do potencial de retorno financeiro associado à exploração de marca. Especialistas em propriedade intelectual destacam que o registro garante exclusividade de uso em determinadas classes de produtos, além de permitir ações legais contra usos indevidos ou não autorizados.
Esse movimento não é isolado. Ele se soma a iniciativas anteriores da família Bolsonaro no campo comercial. Um dos exemplos é a linha de perfumes vinculada ao casal, lançada como uma das primeiras investidas na construção de uma marca própria. Mais recentemente, em fevereiro de 2025, familiares anunciaram a criação da empresa “Loja do Bolsonaro Oficial”, com capital social de R$ 300 mil, voltada à comercialização de roupas, acessórios e produtos personalizados com a imagem do ex-presidente.
Com a aprovação dos registros, a marca “Jair Bolsonaro” passa a ter respaldo legal para ser aplicada em uma ampla variedade de categorias, incluindo itens têxteis, gêneros alimentícios e produtos voltados ao público fumante. A diversificação ou “diversificação de portfólio”, como definem especialistas do setor, é vista como uma estratégia comum para marcas que buscam ampliar presença no mercado e fortalecer identidade junto ao público consumidor.
Em nota oficial, a Comunicação do PL Mulher afirmou que a medida tem como objetivo principal evitar o uso indevido do nome do casal em produtos considerados incompatíveis com seus valores e posicionamentos. A assessoria destacou que o registro funciona como uma forma de proteção jurídica e reputacional. No entanto, o comunicado não detalha quais serão, de fato, os desdobramentos comerciais da iniciativa, nem se há previsão concreta para lançamento de novos produtos no mercado.
Nos bastidores, analistas avaliam que a formalização da marca pode representar um novo capítulo na atuação pública da família Bolsonaro, agora com foco mais acentuado no empreendedorismo e na monetização de imagem prática cada vez mais comum entre figuras públicas, especialmente aquelas com forte base de apoiadores.





