O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu às críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) após a divulgação de um áudio envolvendo negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em declaração à imprensa nesta sexta-feira, em Brasília (DF), o parlamentar afirmou que o aliado político foi “precipitado” ao comentar o caso publicamente.
Segundo Flávio, Zema teria se antecipado ao emitir juízo sobre o episódio sem buscar esclarecimentos prévios. O senador afirmou ainda ter tentado contato direto com o governador mineiro para discutir o assunto reservadamente.
“Eu acho que ele foi precipitado, inclusive tentei ligar para ele ontem para conversar. Uma pessoa que é nova na política precisa entender que também tem uma grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT. Acho que eu merecia, pelo menos da parte dele, o benefício da dúvida. Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar. Eu jamais faria isso com ele”, declarou o parlamentar pouco antes de embarcar na capital federal.
As críticas de Zema ocorreram após a circulação do conteúdo do áudio nas redes sociais e em grupos políticos. Em vídeo publicado em seus perfis oficiais, o governador mineiro classificou a postura de Flávio Bolsonaro nas tratativas com Vorcaro como “imperdoável” e afirmou que o vazamento representaria “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.
O episódio amplia a tensão entre possíveis nomes da direita para a corrida presidencial de 2026 e evidencia divergências internas no campo conservador, especialmente entre lideranças que buscam ocupar espaço político diante da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar do atrito com Zema, Flávio Bolsonaro adotou um tom conciliador ao comentar a manifestação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também cotado como presidenciável. O senador agradeceu publicamente o posicionamento de Caiado, ressaltando que o aliado teria demonstrado cautela e respeito ao tratar do caso.
“Quero agradecer ao Caiado, que fez um posicionamento respeitoso comigo. Ele já foi vítima de uma perseguição como essa”, afirmou.
Além das declarações sobre o cenário político, Flávio também comentou as suspeitas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica que pretende retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro. O parlamentar negou qualquer irregularidade na destinação dos recursos ligados ao projeto.
Segundo ele, os valores foram encaminhados a um fundo de investimento responsável pela produção do longa-metragem e estariam devidamente auditados. A produtora associada ao filme, entretanto, afirma não ter recebido os recursos mencionados.
A investigação conduzida pela Polícia Federal apura a possibilidade de parte do montante ter sido utilizada para custear despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Flávio rejeitou a hipótese e afirmou que não há qualquer vínculo entre os recursos do projeto audiovisual e o parlamentar.
“Eduardo não recebeu dinheiro do filme. Todos os recursos que foram enviados ao fundo foram fiscalizados. Não temos nada a nos preocupar com isso”, declarou.
O caso ocorre em meio à intensificação das movimentações políticas visando a sucessão presidencial de 2026, cenário em que lideranças da direita buscam consolidar alianças e ampliar protagonismo nacional.





