O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos apresente esclarecimentos formais sobre períodos de ausência de sinal detectados em sua tornozeleira eletrônica. Condenada a 14 anos de prisão por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, Débora cumpre prisão domiciliar desde o ano passado, sob monitoramento judicial contínuo.
De acordo com informações anexadas ao processo, o sistema registrou interrupções no sinal de GPS em dois intervalos distintos: entre os dias 20 e 26 de abril e, posteriormente, entre 27 de abril e 3 de maio. As ocorrências levaram o magistrado a solicitar explicações imediatas à defesa da ré, diante da necessidade de verificação do cumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF.
Os advogados de Débora sustentam que as falhas decorreram de problemas técnicos relacionados ao equipamento de monitoramento eletrônico e descartam qualquer hipótese de tentativa de fuga, evasão de domicílio ou violação deliberada das restrições judiciais. Segundo a defesa, a condenada permaneceu em sua residência durante todo o período apontado pelas autoridades.
Em manifestação encaminhada ao Supremo, os representantes da cabeleireira pediram que o sistema penitenciário certifique oficialmente a regularidade da permanência dela em casa, argumentando que oscilações de sinal são comuns em equipamentos eletrônicos e podem ocorrer por falhas de transmissão, instabilidade de rede ou deficiência operacional do sistema de rastreamento.
O caso voltou ao centro do debate político e jurídico após Alexandre de Moraes suspender os efeitos da chamada Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso Nacional. A proposta previa alterações nos critérios de aplicação de penas relacionadas aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, episódio considerado pelas autoridades como uma tentativa de ruptura institucional.
A decisão do ministro reacendeu discussões entre parlamentares, juristas e setores da sociedade civil sobre os limites das punições impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Enquanto apoiadores da nova legislação defendem a revisão das penas por considerá-las excessivas, integrantes do Judiciário e especialistas em Direito Constitucional sustentam que a gravidade dos ataques exige respostas rigorosas do Estado para preservar a estabilidade democrática.
Nos bastidores do Supremo, a avaliação é de que qualquer irregularidade envolvendo monitoramento eletrônico precisa ser apurada com rigor, especialmente em casos ligados aos ataques de 2023. A Corte tem mantido postura firme em relação ao cumprimento das medidas cautelares impostas aos investigados e condenados pelos atos golpistas.
A defesa de Débora aguarda agora a análise técnica dos relatórios de monitoramento e espera que as autoridades reconheçam oficialmente que não houve descumprimento das determinações judiciais. O STF ainda não definiu se haverá novas medidas no caso após a apresentação dos esclarecimentos.





