Os planos de saúde coletivos registraram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Embora represente a menor variação dos últimos cinco anos, o índice ainda supera em mais do que o dobro a inflação oficial acumulada no período.
O percentual corresponde aos aumentos aplicados pelas operadoras entre janeiro e fevereiro deste ano nos contratos coletivos, modalidade predominante no mercado e destinada a empresas, microempreendedores individuais e associações profissionais.
A última vez em que os reajustes ficaram abaixo do patamar atual foi em 2021, auge da pandemia de covid-19, quando a alta média foi de 6,43%. Naquele período, o isolamento social reduziu significativamente a realização de consultas, exames e procedimentos eletivos, o que contribuiu para uma desaceleração temporária dos custos do setor.
Desde então, os índices voltaram a subir em ritmo acelerado. Em 2022, o reajuste médio chegou a 11,48%. No ano seguinte, atingiu 14,13%, um dos maiores percentuais da última década. Em 2024, houve leve desaceleração, mas os aumentos permaneceram elevados, com média de 13,18%. Já em 2025, o reajuste caiu para 10,76%, até alcançar os atuais 9,9% registrados no início de 2026.
Antes da pandemia, os reajustes já vinham em trajetória elevada. Em 2016, a alta média foi de 15,74%, seguida de 14,24% em 2017. Em 2018, os contratos coletivos tiveram reajuste de 11,96%, enquanto em 2019 a variação ficou em 10,55%. Em 2020, primeiro ano da crise sanitária, o percentual recuou para 7,71%.
Reajuste supera inflação oficial
Apesar da desaceleração observada em 2026, os aumentos continuam muito acima da inflação oficial do país. Em fevereiro deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado pelo governo federal para medir a inflação, acumulou alta de 3,81%.
A diferença entre os índices costuma gerar críticas de entidades de defesa do consumidor. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), por exemplo, frequentemente questiona aumentos considerados desproporcionais em relação ao avanço geral dos preços da economia.
Como funciona o reajuste dos planos coletivos
Ao contrário dos planos individuais e familiares cujo reajuste anual é definido diretamente pela ANS, os contratos coletivos seguem regras diferentes. Nessa modalidade, os percentuais são estabelecidos por meio de negociação entre as operadoras e a pessoa jurídica responsável pelo contrato, como empresas e entidades de classe.
O modelo coletivo concentra atualmente a maior parte dos beneficiários da saúde suplementar no país e apresenta regras específicas conforme o tamanho do grupo segurado.
Nos contratos com até 29 beneficiários, chamados no setor de planos com “menos de 30 vidas”, a ANS exige que todos os clientes de uma mesma operadora recebam o mesmo percentual de reajuste. Já os contratos com 30 vidas ou mais possuem negociação diferenciada.
De acordo com os dados divulgados pela agência reguladora, os planos com 30 ou mais beneficiários tiveram reajuste médio de 8,71% nos dois primeiros meses de 2026. Já os contratos menores registraram aumento médio de 13,48%.
A ANS informa ainda que cerca de 77% dos usuários de planos coletivos estão inseridos na faixa de contratos com 30 vidas ou mais.
Especialistas do setor apontam que fatores como envelhecimento da população, incorporação de novas tecnologias médicas e aumento dos custos hospitalares continuam pressionando as mensalidades, mesmo em um cenário de desaceleração dos reajustes.





