Uma investigação da Polícia Federal revelou que ao menos sete pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil foram utilizadas como “laranjas” em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro supostamente chefiado pelo funkeiro MC Ryan SP. De acordo com apuração do portal Metrópoles, somente esse grupo movimentou cerca de R$ 22,5 milhões entre abril de 2024 e dezembro de 2025, valores incompatíveis com os rendimentos declarados.
Segundo decisão da Justiça Federal, no âmbito da Operação Narco Fluxo, o artista é apontado como líder e principal beneficiário de uma estrutura criminosa que pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. O esquema, conforme detalham os investigadores, utilizaria empresas ligadas à indústria fonográfica e ao setor de entretenimento como fachada para “esquentar” recursos de origem ilícita, prática conhecida como branqueamento de capitais.
A operação ganhou novos desdobramentos na última quarta-feira (15), quando o cantor foi preso temporariamente por ordem da 5ª Vara Federal de Santos. Ao todo, 33 pessoas foram alvo de mandados judiciais. Entre os detidos estão nomes conhecidos do meio digital e musical, como o funkeiro MC Poze, o influenciador Raphael Sousa Oliveira, além do casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.
As investigações detalham o papel de alguns dos chamados “laranjas” no esquema. Um dos casos é o de Vitor Ferreira da Cruz Junior, beneficiário de programas sociais que declarou renda mensal de R$ 3 mil, mas movimentou mais de R$ 4 milhões em pouco mais de um ano. Outro destaque é Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como “Belga”, amigo de infância do artista e apontado como operador financeiro. Apesar de declarar renda de pouco mais de R$ 3,8 mil, ele teria movimentado mais de R$ 4,3 milhões em menos de dois meses, atuando como intermediário na distribuição de recursos e aquisição de bens de alto valor.
Também chama atenção o caso de Sydney Wendemacher Junior, técnico de áudio que declarou renda mensal inferior a R$ 4 mil, mas movimentou mais de R$ 2 milhões em apenas seis meses. Parte significativa desse montante teria sido transferida por “Belga”, sendo rapidamente convertida na compra de imóveis em cidades do interior paulista e veículos de luxo, uma estratégia, segundo a Polícia Federal, para ocultar o verdadeiro proprietário dos bens.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o uso de pessoas de baixa renda como “laranjas” é uma prática recorrente em esquemas dessa natureza, justamente por dificultar o rastreamento inicial das transações financeiras. A pulverização dos valores em diversas contas e a utilização de empresas ligadas ao entretenimento também contribuiriam para dar aparência de legalidade às operações.
A defesa dos investigados ainda não se manifestou de forma detalhada sobre as acusações. O espaço segue aberto para posicionamentos. Enquanto isso, a Polícia Federal continua analisando documentos, movimentações bancárias e contratos que possam ampliar o entendimento sobre a dimensão do esquema.
O caso segue em investigação e pode gerar novos desdobramentos nos próximos dias, com a possibilidade de oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal e eventual abertura de ação penal contra os envolvidos.





