Brasília volta a se tornar o principal palco das mobilizações indígenas no país com a chegada de lideranças e representantes de diversas regiões para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). Considerado o maior encontro indígena do Brasil, o evento reúne milhares de participantes ao longo da semana e segue até a próxima sexta-feira (10/4), consolidando-se como um espaço estratégico de articulação política, cultural e social.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o acampamento tem como ponto de concentração o Eixo Cultural Ibero-Americano, antiga Funarte. A expectativa é de que entre 7 mil e 8 mil indígenas participem da mobilização, representando uma parcela significativa dos 391 povos originários existentes no país. Além das delegações nacionais, o encontro também conta com a presença de representantes internacionais, reforçando o caráter global das discussões sobre direitos indígenas e preservação ambiental.
Mais do que um ato simbólico, o ATL se consolida como um espaço de resistência e proposição. A programação é extensa e inclui debates, assembleias, atividades culturais e manifestações públicas. Nesta terça-feira, por exemplo, está prevista uma grande marcha em direção ao Congresso Nacional, com concentração nas primeiras horas da manhã. Em função do ato, duas faixas do Eixo Monumental, próximas ao canteiro central, serão interditadas a partir das 9h, com o trânsito sendo monitorado pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar do Distrito Federal.
O Acampamento Terra Livre também marca o início do chamado “Abril Indígena”, período dedicado à mobilização nacional em defesa de pautas históricas dos povos originários. Entre os principais temas debatidos estão o acesso à saúde, a garantia de uma educação intercultural de qualidade e, sobretudo, a proteção dos territórios tradicionais considerados essenciais para a preservação das identidades culturais e da biodiversidade.
Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, a edição de 2026 reforça o posicionamento contrário a propostas legislativas que, segundo as lideranças, representam retrocessos. Entre elas estão projetos que tratam da exploração mineral em terras indígenas e a tese do marco temporal, que limita o direito à demarcação de terras à ocupação comprovada na data da promulgação da Constituição de 1988.
Outro destaque desta edição é o fortalecimento da participação política indígena. Durante o evento, será lançada a iniciativa “Campanha Indígena”, voltada à formação, incentivo e ampliação de candidaturas indígenas em todo o país. A proposta busca não apenas aumentar a representatividade no Congresso Nacional, mas também garantir que as pautas dos povos originários sejam discutidas de forma mais direta nos espaços de poder.
Ao ocupar Brasília, os povos indígenas reafirmam sua presença histórica e contemporânea no Brasil, ampliando vozes que ecoam por direitos, respeito e reconhecimento. O Acampamento Terra Livre, mais uma vez, se firma como um marco na luta coletiva por justiça social, preservação ambiental e garantia de um futuro onde os povos originários sejam protagonistas de suas próprias histórias.





