A eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou forte repercussão política em Brasília e desencadeou um embate público com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar mineiro intensificou, nesta quinta-feira (12), uma campanha nas redes sociais contra a escolha da colega para comandar o colegiado.
Pelo segundo dia consecutivo, Nikolas utilizou a rede social X para criticar a eleição da parlamentar do PSOL, questionando o fato de uma deputada trans ocupar a presidência da comissão responsável por discutir políticas públicas voltadas às mulheres. Em uma das publicações, o deputado convocou outras parlamentares da Casa a reagirem politicamente à escolha.
“As deputadas mulheres não deveriam deixar a comissão de mulheres acontecer. Obstruir e fazer uma zorra até mudar a presidência. É o cúmulo aceitar isso”, escreveu o parlamentar em sua conta oficial.
Além das manifestações nas redes sociais, Nikolas Ferreira também divulgou um abaixo-assinado virtual intitulado “Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher”, iniciativa que, segundo ele, busca mobilizar apoio popular e político contra a atual composição da mesa da comissão.
Reação de Erika Hilton
A deputada Erika Hilton reagiu às críticas afirmando que está sendo alvo de ataques motivados por preconceito e reiterou que exercerá a função para a qual foi eleita pelos membros da comissão. Em declarações feitas na tribuna da Câmara e em publicações nas redes sociais, ela afirmou que a resistência à sua eleição é resultado de LGBTfobia.
“Sob protestos dos LGBTfóbicos e dos defensores do PL do Estupro, do PDL da Pedofilia e dos red pills, assumi a presidência da Comissão da Mulher”, declarou a parlamentar.
Segundo Hilton, o fato de sua eleição gerar reações tão intensas demonstra, na avaliação dela, a dimensão das disputas ideológicas em torno das pautas de gênero no país.
“Assumir esse espaço incomodando essa trupe nojenta e odiosa demonstra a gravidade da situação em que nosso país se encontra”, afirmou a deputada.
Ela também argumentou que a presidência da comissão deve ser utilizada para ampliar o debate sobre temas considerados urgentes, como o aumento dos casos de feminicídio, violência de gênero e desigualdade social enfrentada por mulheres em diferentes contextos.
Debate político e ideológico
A presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher costuma ser um espaço estratégico dentro da Câmara dos Deputados, responsável por discutir projetos relacionados à proteção das mulheres, combate à violência doméstica, igualdade de direitos e políticas públicas de gênero.
A eleição de Erika Hilton, uma das primeiras deputadas trans da história do Congresso Nacional, ampliou o debate político em torno da representatividade e do conceito de identidade de gênero dentro do parlamento brasileiro.
Enquanto setores progressistas defendem a escolha como um avanço na diversidade e na inclusão política, parlamentares conservadores questionam a legitimidade da representação feminina no caso de mulheres trans, argumento utilizado por Nikolas Ferreira em suas críticas.
Processo contra Ratinho
Paralelamente à disputa política, Erika Hilton também está movendo uma ação judicial contra o apresentador Carlos Massa (Ratinho), do SBT. A deputada acusa o comunicador de transfobia após declarações feitas em seu programa afirmando que mulheres trans não seriam mulheres.
Na ação, Hilton solicita responsabilização judicial pelas falas e pede que o caso seja investigado sob a legislação que equipara a transfobia ao crime de racismo.
Clima de tensão no Congresso
O episódio evidencia o clima de polarização política que marca o debate sobre direitos de gênero no Brasil. Nos bastidores da Câmara, parlamentares avaliam que a presidência da Comissão da Mulher pode se tornar um novo foco de embates ideológicos entre bancadas conservadoras e progressistas ao longo do ano legislativo.
Apesar das críticas e pressões, Erika Hilton afirma que seguirá à frente do colegiado com a intenção de pautar projetos voltados à proteção das mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero no país.





