O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, passou a considerar a possibilidade de que a divulgação dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenha partido da própria defesa do banqueiro. Nos bastidores da Corte, auxiliares do magistrado avaliam que o vazamento pode ter sido articulado como uma forma de pressionar o relator do caso e forçar a retomada das negociações em torno de uma eventual delação premiada.
De acordo com interlocutores ligados às investigações, a interpretação predominante no entorno de Mendonça é a de que a exposição pública das conversas teria um propósito estratégico: criar constrangimento institucional dentro do Supremo e aumentar o peso político do caso. A avaliação reservada é que o conteúdo divulgado serviria como um “sinal” ao ministro de que novos materiais sensíveis poderiam emergir caso as tratativas envolvendo um possível acordo de colaboração não avancem.
As gravações colocaram novamente no centro das atenções um dos principais nomes do bolsonarismo no Congresso Nacional, ampliando a repercussão política do episódio em Brasília. Integrantes da investigação observam que o impacto da divulgação ultrapassou o âmbito jurídico e passou a produzir efeitos também no cenário político, especialmente por envolver figuras próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta sexta-feira (15), André Mendonça realizou uma reunião reservada com integrantes da Polícia Federal responsáveis pelas apurações relacionadas ao Banco Master. Segundo fontes com conhecimento das discussões, o ministro demonstrou preocupação com a sequência de vazamentos e cobrou maior rigor na preservação do sigilo das investigações.
O magistrado também orientou a Polícia Federal a adotar cautela na condução e no compartilhamento de informações sensíveis, principalmente para evitar a exposição pública de investigados, testemunhas ou pessoas apenas mencionadas nos documentos e materiais apreendidos durante a operação. A preocupação no STF é impedir que trechos isolados de depoimentos, áudios ou relatórios sejam utilizados fora do contexto original, comprometendo tanto a investigação quanto a imagem dos envolvidos.
Nos bastidores do Supremo, a percepção é de que o episódio elevou a tensão entre investigadores, defesa e integrantes da Corte. Ministros ouvidos reservadamente avaliam que a escalada de vazamentos pode contaminar o ambiente institucional e dificultar eventuais negociações judiciais futuras.
Enquanto isso, a defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer participação na divulgação do material e sustenta que não autorizou o compartilhamento das gravações. Aliados do senador Flávio Bolsonaro também reagiram à repercussão do caso, classificando o vazamento como uma tentativa de desgaste político em meio ao avanço das investigações.
O caso segue sob acompanhamento direto do STF e da Polícia Federal, em um momento considerado delicado por integrantes da Corte, diante da combinação entre interesses políticos, apurações financeiras e possíveis negociações de colaboração premiada.





