A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) voltou ao centro do debate político nacional nesta segunda-feira (13) ao negar publicamente qualquer rompimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos possíveis nomes do campo conservador para a disputa presidencial. Apesar de rechaçar especulações sobre um afastamento definitivo, a parlamentar aproveitou seu pronunciamento para fazer um contundente apelo pela unidade da direita, criticando o que classificou como sucessivos ataques promovidos por integrantes do próprio grupo político.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de informações divulgadas pela imprensa nacional de que Damares teria decidido interromper sua colaboração na elaboração do plano de governo ligado à pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo as informações publicadas, a decisão teria ocorrido em meio ao ambiente de tensão envolvendo o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, figura de grande influência dentro do eleitorado conservador.
Durante discurso no plenário do Senado, Damares buscou afastar qualquer interpretação de rompimento político, reafirmando sua identidade dentro do movimento bolsonarista e garantindo que continuará apoiando o candidato que vier a ser oficialmente indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para representar o grupo nas próximas eleições presidenciais.
Ao mesmo tempo, a senadora demonstrou forte preocupação com o aumento das divergências internas. Em tom de desabafo, afirmou que os constantes ataques entre integrantes da própria direita podem desgastar a imagem do campo conservador perante a sociedade.
“Parem de atacar os soldados da direita. Vamos mostrar para o Brasil que é bom ser conservador. Daqui a pouco, o Brasil vai dizer: ‘Eu não quero isso, não. Eles atacam os próprios soldados deles. O que eles não vão fazer com a gente?’”, declarou.
Questionamentos sobre ataques internos
Sem citar nomes diretamente, Damares também levantou dúvidas sobre a origem das campanhas de críticas direcionadas a lideranças conservadoras. Em seu pronunciamento, questionou se haveria interesses políticos ou financeiros por trás da disseminação de ataques contra integrantes da direita.
A parlamentar afirmou que prefere concentrar seus esforços em defender as pautas do campo conservador em vez de responder constantemente a críticas feitas por aliados.
Segundo ela, o fortalecimento da direita depende de uma atuação mais coordenada, evitando conflitos públicos que possam enfraquecer o grupo diante do eleitorado.
Repercussão entre aliados
O episódio rapidamente ganhou grande repercussão nas redes sociais e entre lideranças políticas alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, atualmente residindo nos Estados Unidos, compartilhou em sua conta na rede social X uma publicação afirmando que Damares “saiu da campanha sem nunca ter entrado”. A postagem foi interpretada como uma ironia diante das notícias envolvendo o suposto afastamento da senadora da construção do projeto político ligado a Flávio Bolsonaro.
Nos últimos meses, Damares também tem protagonizado divergências públicas com influenciadores conservadores, entre eles Paulo Figueiredo e Oswaldo Eustáquio, principalmente em razão de sua proximidade política com Michelle Bolsonaro.
Defesa de Michelle Bolsonaro
Durante seu pronunciamento, Damares voltou a manifestar apoio à ex-primeira-dama, ressaltando sua confiança pessoal e política em Michelle Bolsonaro.
A senadora descreveu Michelle como uma liderança respeitada dentro do movimento conservador, afirmando que se trata de “uma mulher digna”, que “não trai” e “não se corrompe”. A declaração reforça o alinhamento entre ambas em um momento de intensificação das disputas internas no grupo político.
Cenário político
As declarações ocorrem em um momento de reorganização das forças políticas que compõem a direita brasileira. Enquanto lideranças articulam estratégias para as próximas eleições presidenciais, episódios de divergências públicas e manifestações nas redes sociais têm evidenciado disputas por protagonismo e influência dentro do campo conservador.
Analistas avaliam que a capacidade de construção de consenso entre as principais lideranças poderá desempenhar papel importante na definição dos rumos da oposição nos próximos meses, especialmente diante das articulações para a formação de alianças e da escolha de candidaturas para a sucessão presidencial.
A fala de Damares evidencia a preocupação de parte das lideranças conservadoras com o impacto das disputas internas sobre a imagem do movimento, em um momento considerado estratégico para a reorganização política do grupo.
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