O que não pode faltar no seu São João? Comida típica, arrasta-pé, fogos e fogueira, você deve estar pensando. Por isso mesmo, é importante saber que, durante os festejos juninos, os acidentes mais comuns envolvem queimaduras térmicas causadas por contato com fogueira, brasas, panelas quentes, líquidos ferventes e queimaduras por explosão de fogos de artifício. Também podem ocorrer queimaduras químicas provocadas pela pólvora, além de lesões como cortes e traumas oculares. O ideal é evitar riscos, mas caso algum acidente ocorra, é importante agir rápido.
Sobre como diferenciar uma queimadura leve de uma que exige ida imediata à emergência, a Dra. Maura Simonetti Junqueira Bourroul, dermatologista do Grupo Fleury, detentor da Diagnoson a+ na Bahia, explica que as queimaduras leves costumam causar vermelhidão, ardor e dor local, sem bolhas extensas e em área pequena. Já uma queimadura que exige atendimento imediato, geralmente apresenta bolhas grandes ou numerosas, além de pele esbranquiçada, acinzentada, escurecida ou endurecida; dor muito intensa ou, paradoxalmente, ausência de dor em áreas profundas; acometimento de face, mãos, pés, genitais ou articulações; queimadura elétrica ou por explosão; sinais de dificuldade para respirar e queimaduras extensas, especialmente em crianças e idosos. Nessas situações, a médica frisa que o atendimento médico deve ser imediato.
Primeiros cuidados
Segundo a médica, em caso de queimaduras, “a primeira conduta é interromper a fonte de calor e afastar a pessoa do risco. Em seguida, resfriar a área com água corrente fresca, mas não gelada, por cerca de 20 minutos para ajudar a reduzir a temperatura da pele, aliviar a dor e limitar a progressão da lesão”. Também é importante retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupas apertadas próximas à área, antes que o local inche. Mas atenção: se a roupa estiver grudada na pele, ela não deve ser removida à força.
Em meio a episódios como esses, é comum ouvirmos que passar pasta de dente, manteiga ou pó de café ajuda a “esfriar” a queimadura. No entanto, essas práticas podem piorar o quadro e devem ser evitadas. “É preciso evitar o uso de itens como pasta de dente, manteiga, pó de café, clara de ovo, pomadas sem indicação e outras receitas caseiras, pois elas podem contaminar a ferida e aumentar risco de infecção, além de irritar ainda mais a pele lesionada, dificultar a avaliação médica da profundidade da queimadura, atrasar a cicatrização e aumentar risco de manchas e cicatrizes. O correto é usar apenas água corrente inicialmente e buscar orientação adequada”, destaca a especialista.
Nas crianças, as queimaduras merecem atenção redobrada porque a pele é mais fina e a perda de líquidos pode ser mais rápida. A conduta inicial é a mesma: afastar da fonte de calor e resfriar com água corrente fresca por 20 minutos.
Outras recomendações importantes incluem remover roupas e acessórios que não estejam aderidos à pele, cobrir a área afetada com um pano limpo e evitar a aplicação de receitas caseiras sobre a queimadura. Também é fundamental oferecer conforto à vítima e observar sinais como dor intensa ou sonolência. Além disso, a orientação é procurar atendimento médico o quanto antes, mesmo em casos de queimaduras aparentemente pequenas, especialmente quando houver formação de bolhas ou quando a região atingida envolver rosto, mãos, pés ou tronco.
Seja em crianças ou adultos, as bolhas não devem ser estouradas em casa. “Elas funcionam como uma proteção biológica natural, ajudando a reduzir contaminação externa e favorecendo a cicatrização do tecido por baixo. Quando necessário, o manejo deve ser feito por profissional de saúde, com técnica adequada e avaliação do tipo de queimadura”, orienta a Dra. Maura.
Cuidados pós-queimadura
A pele recém-queimada fica muito mais vulnerável à pigmentação irregular, mesmo em dias nublados ou com mormaço.
O primeiro passo é passar por uma avaliação médica e seguir as recomendações indicadas para cada caso. Entre os cuidados essenciais estão evitar a exposição direta ao sol na área lesionada, utilizar roupas que cubram a região afetada e aplicar protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior, desde que a pele já esteja fechada e cicatrizada. Também é importante reaplicar o protetor conforme a necessidade e manter a pele sempre hidratada.
Em caso de dúvidas, o melhor caminho é buscar orientação de um médico especialista.






