Neste domingo (7), enquanto a Avenida Paulista, em São Paulo, recebe mais uma edição da Parada do Orgulho LGBT+ reconhecida internacionalmente como uma das maiores manifestações em defesa da diversidade, da inclusão e dos direitos humanos os avanços conquistados pela população LGBTQIA+ também se refletem nos registros oficiais espalhados por todo o país. Nos Cartórios de Registro Civil brasileiros, a busca por reconhecimento, proteção legal e segurança jurídica tem impulsionado um crescimento consistente na formalização de novas famílias.
Dados inéditos divulgados pelo Portal da Transparência do Registro Civil, plataforma administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), revelam que o Brasil registrou 15.520 casamentos entre pessoas do mesmo sexo ao longo de 2025. O número representa um dos maiores patamares já contabilizados desde que as uniões homoafetivas passaram a ser reconhecidas oficialmente pelos cartórios brasileiros.
O resultado reforça uma tendência de crescimento contínuo observada nos últimos anos. Em comparação com 2020, quando pouco mais de 8,7 mil casamentos entre pessoas do mesmo sexo foram registrados em todo o território nacional, o aumento acumulado ultrapassa 78%, evidenciando uma transformação significativa no cenário social brasileiro e no acesso dessa população aos instrumentos formais de constituição familiar.
Especialistas apontam que o crescimento não se resume apenas à ampliação dos direitos civis. O avanço também demonstra maior confiança da população LGBTQIA+ nas instituições e no reconhecimento legal de suas relações afetivas. O casamento civil garante uma série de direitos fundamentais, como acesso à herança, inclusão em planos de saúde, pensão por morte, divisão de bens, benefícios previdenciários e proteção patrimonial, fatores que contribuem para o fortalecimento da segurança jurídica dos casais.
A evolução dos números também acompanha mudanças culturais observadas na sociedade brasileira. Nas últimas décadas, o debate sobre diversidade sexual e identidade de gênero ganhou espaço em diferentes setores, promovendo maior visibilidade e contribuindo para a redução gradual de barreiras históricas enfrentadas pela população LGBTQIA+. Embora desafios relacionados à discriminação e à violência ainda persistam, os indicadores mostram avanços importantes no reconhecimento da pluralidade das configurações familiares existentes no país.
O marco jurídico que possibilitou essa transformação teve início em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Dois anos depois, em 2013, uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que todos os cartórios brasileiros passassem a celebrar casamentos civis homoafetivos e converter uniões estáveis em casamento, sem necessidade de autorização judicial.
Desde então, os registros vêm apresentando crescimento gradual, com oscilações pontuais em períodos de crise econômica ou durante a pandemia de Covid-19. Ainda assim, a curva histórica permanece ascendente, demonstrando que cada vez mais casais optam por formalizar suas relações perante a lei.
O recorde alcançado em 2025 ganha significado especial justamente no dia em que milhões de pessoas participam ou acompanham as celebrações da Parada do Orgulho LGBT+ em São Paulo. Mais do que uma manifestação cultural e política, o evento simboliza décadas de mobilização por direitos, respeito e cidadania. Os números dos cartórios reforçam que parte dessas reivindicações tem produzido resultados concretos, traduzidos na ampliação do acesso à proteção legal e no fortalecimento do direito de constituir família em igualdade de condições.
Para representantes do setor registral, os dados demonstram que o reconhecimento jurídico das uniões homoafetivas deixou de ser apenas uma conquista institucional para se tornar uma realidade presente na vida de milhares de brasileiros. Cada novo casamento registrado representa não apenas um ato administrativo, mas também a consolidação de direitos, a valorização dos vínculos afetivos e o fortalecimento dos princípios constitucionais de igualdade e dignidade da pessoa humana.
Em um país marcado pela diversidade, os números de 2025 mostram que o desejo de construir projetos de vida em comum segue crescendo, consolidando uma mudança histórica na formação das famílias brasileiras e reafirmando o papel do casamento civil como instrumento de proteção, cidadania e inclusão social.





