Uma nova pesquisa divulgada pelo Instituto Sou da Paz aponta que a maioria da população brasileira apoia políticas de segurança pública voltadas para eficiência policial, prevenção da violência, uso de tecnologia e aplicação rigorosa das leis já existentes. O levantamento também evidencia um sentimento generalizado de insegurança nas cidades brasileiras, sobretudo entre as mulheres.
Realizado pela Oma Pesquisa entre novembro e dezembro de 2025, o estudo ouviu 1.115 pessoas em entrevistas presenciais e domiciliares em diferentes regiões do país. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (18) e revelam uma percepção social distante de discursos extremistas, priorizando soluções práticas e estruturais para o enfrentamento da criminalidade.
Rejeição à violência extrema
Entre os principais resultados do levantamento está a baixa adesão à frase “bandido bom é bandido morto”. Apenas 20% dos entrevistados concordaram com a afirmação, enquanto a ampla maioria defende medidas legais e institucionais para combater o crime.
Segundo a pesquisa, 73% dos brasileiros acreditam que criminosos devem ser julgados e presos conforme determina a legislação. O dado reforça uma tendência de valorização do sistema de justiça e do devido processo legal, em vez de ações violentas ou fora da lei.
O estudo mostra ainda que 55% da população defendem a aplicação efetiva das leis já existentes para todos os criminosos, enquanto 39% entendem que o aumento das penas seria o caminho mais adequado para reduzir a criminalidade.
Armas e violência
A circulação de armas de fogo também aparece como uma preocupação significativa entre os brasileiros. De acordo com o levantamento, 77% dos entrevistados reconhecem que armas compradas legalmente podem acabar sendo utilizadas em crimes violentos após roubos ou desvios.
Além disso, 73% afirmaram acreditar que o aumento do número de armas em circulação tende a gerar mais violência. O resultado demonstra uma percepção majoritária de que o armamento da população não representa, necessariamente, maior sensação de segurança.
Apoio ao uso de tecnologia pelas polícias
A pesquisa também revela forte apoio da população ao uso de tecnologias de monitoramento e controle nas forças de segurança. O uso de câmeras corporais por policiais, por exemplo, conta com aprovação de 82% dos entrevistados.
Já 65% dos participantes afirmaram que o país precisa investir em uma polícia mais preparada, qualificada e valorizada profissionalmente. A avaliação sugere que a população espera melhorias estruturais nas corporações policiais, com foco em treinamento, inteligência e eficiência operacional.
Mulheres sentem mais insegurança
O levantamento expõe ainda um cenário preocupante relacionado à sensação de segurança da população. Apenas 32% dos brasileiros afirmaram sentir-se seguros na cidade onde vivem.
Entre as mulheres, o índice é ainda menor: somente 26% disseram se sentir seguras em seus municípios. A diferença reforça o impacto desproporcional da violência sobre o público feminino.
Outro dado alarmante aponta que 83% dos entrevistados reconhecem a presença da violência contra a mulher em suas cidades, indicando que o problema é amplamente percebido pela sociedade brasileira.
Prioridades para os próximos anos
Com base nos resultados, o Instituto Sou da Paz defende cinco prioridades consideradas estratégicas para transformar a segurança pública brasileira nos próximos anos:
- proteção de meninas e mulheres;
- fortalecimento de polícias mais preparadas e valorizadas;
- enfrentamento ao crime organizado;
- redução de roubos;
- retirada de armas ilegais de circulação.
Para a entidade, os números mostram que a sociedade brasileira deseja políticas públicas mais eficazes, preventivas e alinhadas ao respeito às leis e aos direitos da população.





