André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (5) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília.
Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), na cidade de São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). Na manhã desta quinta-feira, ele foi transferido para a Penitenciária de Potim, unidade localizada no interior paulista, enquanto aguardava decisão sobre o local definitivo de custódia.
A autorização para a transferência para o sistema penitenciário federal atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou riscos à segurança pública caso o investigado permanecesse em um presídio estadual. A expectativa é de que a transferência para a penitenciária federal em Brasília ocorra nesta sexta-feira (6).
Risco de interferência nas investigações
No pedido encaminhado ao STF, os investigadores afirmaram que o banqueiro possui grande capacidade de influência e poderia interferir no andamento das investigações que apuram supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
Segundo a PF, a complexidade do caso exige medidas mais rígidas de custódia.
“As peculiaridades do caso concreto revelam cenário que recomenda cautela redobrada quanto à execução da medida constritiva, sobretudo diante da potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento das determinações judiciais”, informou a corporação no documento encaminhado ao ministro.
Além da possibilidade de interferência nas apurações, a Polícia Federal também destacou que a transferência para um presídio federal de segurança máxima busca preservar a integridade física do banqueiro.
Episódio envolvendo aliado
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores ocorreu na quarta-feira (4), quando Luiz Phillipi Mourão, apontado como aliado de Vorcaro, tentou tirar a própria vida enquanto estava detido na carceragem da superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Ele foi socorrido e permanece internado em um hospital da cidade.
De acordo com as investigações da PF, Mourão atuava como auxiliar direto do banqueiro e era conhecido pelo apelido de “Sicario”. Os investigadores afirmam que ele seria responsável por monitorar e obter informações sigilosas sobre pessoas consideradas adversárias dos interesses de Vorcaro.
Investigação segue em andamento
A terceira fase da Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraude financeira e obtenção irregular de informações, que teria sido articulado por pessoas ligadas ao Banco Master. A Polícia Federal continua analisando documentos, movimentações financeiras e possíveis conexões entre os investigados para esclarecer o alcance do esquema.





