A cantora Claudia Leitte voltou a se manifestar sobre a controvérsia envolvendo a alteração de um trecho da música Caranguejo, episódio que culminou em uma denúncia do Ministério Público da Bahia (MPBA) por suposta intolerância religiosa. O caso, que ganhou ampla repercussão durante o Carnaval do ano passado, segue em debate público e jurídico, enquanto a artista questiona as circunstâncias que levaram à viralização do conteúdo.
A polêmica teve origem em um vídeo de uma apresentação realizada em 2013, no qual Claudia substitui o verso “saudação a Iemanjá” por “ao rei Yeshua” , nome atribuído a Jesus Cristo na tradição hebraica. Apesar de antigo, o registro só ganhou notoriedade mais de uma década depois, levantando dúvidas, segundo a cantora, sobre a motivação de sua divulgação.
Em entrevista ao podcast Desculpincomodar, Claudia afirmou ter estranhado o timing da repercussão. “O curioso foi que acabou o Carnaval do ano passado e saiu esse vídeo, que é de 2013, 13 anos atrás. Não posso dizer que foi intencional, mas ficou estranho para mim”, declarou. A artista também mencionou que a publicação que impulsionou o debate indicava tratar-se de “matéria paga”, o que, em sua avaliação, reforça a suspeita de tentativa de distorção de contexto. “Um vídeo de 13 anos, tirado de contexto, compartilhado como se fosse de agora. Essas ‘narrativas’ são meio estranhas”, acrescentou.
Após cerca de um ano de apuração, o MPBA formalizou ação civil pública contra a cantora, solicitando indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. De acordo com o órgão, a alteração na letra pode ser interpretada como um ato que fere o patrimônio cultural das religiões de matriz africana, sendo enquadrada como prática de intolerância religiosa ou até mesmo racismo cultural.
O caso provocou reações divergentes no meio artístico, especialmente entre nomes de destaque da música baiana. Enquanto parte dos artistas criticou a atitude da cantora, outros saíram em sua defesa. A relação entre Claudia e Ivete Sangalo teria sido afetada, com relatos de que Ivete bloqueou a colega nas redes sociais. Já Carlinhos Brown foi alvo de críticas ao defender Claudia publicamente, afirmando que manifestações religiosas não deveriam ser cerceadas no contexto do Carnaval.
A discussão reacende um debate mais amplo sobre liberdade de expressão artística, respeito às tradições culturais e os limites entre manifestação individual e possíveis impactos coletivos. O processo segue em tramitação na Justiça baiana, sem decisão final até o momento.





