A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou uma operação de grande porte para apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos dentro de um gabinete parlamentar da Assembleia Legislativa de Pernambuco. A ação, batizada de Operação Draft, revela indícios de um mecanismo estruturado de corrupção baseado na prática conhecida como “rachadinha”, com movimentações milionárias ao longo de vários anos.
De acordo com as investigações, um dos principais alvos apontado como operador financeiro do esquema teria movimentado o montante de R$ 2.743.901,65 oriundos de verbas públicas. A prática consistia na apropriação indevida de parte dos salários de assessores parlamentares, por meio de repasses obrigatórios, configurando um sistema contínuo de desvio de recursos.
A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em municípios estratégicos da Região Metropolitana do Recife, incluindo Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Durante as diligências, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 120 mil em moeda estrangeira, além de duas barras de prata, avaliadas entre R$ 12 mil e R$ 23 mil.
As apurações tiveram início no final de 2023, após o compartilhamento de informações entre órgãos de segurança pública que identificaram indícios de corrupção envolvendo um gabinete parlamentar estadual. Segundo a PCPE, os crimes investigados teriam ocorrido entre os anos de 2015 e 2019, período em que o esquema teria operado de forma sistemática.
As investigações apontam que a organização criminosa seria composta por dois deputados estaduais e seis operadores financeiros e materiais, responsáveis por articular e executar o desvio dos recursos. O modelo adotado incluía a contratação de assessores, alguns deles sem prestação efetiva de serviço, os chamados “funcionários fantasmas” com o objetivo de desviar parte significativa dos salários pagos com dinheiro público.
Conforme explicou o delegado Juliano Ferronato, o funcionamento do esquema dependia de uma engrenagem bem estruturada.
“Para o sistema da rachadinha funcionar, era necessário um operador que fizesse a ligação entre o núcleo político, os operadores financeiros e os próprios assessores. Em muitos casos, o assessor fantasma realizava o saque e repassava integralmente o valor aos responsáveis pelo esquema”, detalhou.
Ainda segundo a polícia, os assessores recebiam salários que variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil e tinham conhecimento da dinâmica ilícita. O dinheiro era posteriormente redistribuído por meio de diversas contas bancárias, prática que caracteriza lavagem de dinheiro.
Um dos investigados, considerado peça-chave na engrenagem financeira, teria movimentado valores que variam de R$ 200 mil até mais de R$ 2,7 milhões, todos provenientes dos cofres públicos. Apesar da gravidade das acusações e do volume financeiro envolvido, nenhum dos investigados foi preso até o momento, e suas identidades seguem sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações.
A Operação Draft segue em curso, e novas fases não estão descartadas. A expectativa das autoridades é aprofundar o rastreamento financeiro e identificar todos os envolvidos no esquema, ampliando o cerco contra práticas de corrupção no âmbito do poder legislativo estadual.





