O número de adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos que fumam cigarro tradicional vem apresentando queda nos últimos anos. Em contrapartida, o uso de dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos popularmente como “vape” ou cigarro eletrônico, cresce de forma preocupante entre os jovens. É o que revela a mais recente edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quarta-feira (25).
De acordo com o levantamento, embora campanhas de conscientização e políticas públicas tenham contribuído para a redução do consumo de cigarros convencionais, os adolescentes estão migrando para novas formas de consumo de nicotina. O “vape”, muitas vezes associado a uma imagem moderna e menos prejudicial, tem conquistado espaço significativo nesse público.
Especialistas ouvidos pela pesquisa destacam que a percepção de risco em relação ao cigarro eletrônico ainda é baixa entre os jovens. Em muitos casos, o produto é visto como uma alternativa “mais segura”, o que não corresponde à realidade científica. “Há uma falsa sensação de que o vape não causa danos à saúde, mas ele também contém substâncias tóxicas e pode levar à dependência de nicotina”, alertam profissionais da área da saúde.
Outro ponto de atenção revelado pela PeNSE é a facilidade de acesso aos dispositivos eletrônicos, mesmo com a comercialização proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A presença desses produtos em redes sociais, influenciadores digitais e até no ambiente escolar contribui para a popularização do uso entre adolescentes.
Além disso, o estudo aponta diferenças regionais e sociais no comportamento dos estudantes, indicando que fatores como renda, acesso à informação e contexto familiar influenciam diretamente nos hábitos relacionados ao tabagismo. Em algumas regiões, o crescimento do uso de cigarros eletrônicos já supera, com folga, o consumo de cigarro tradicional entre os jovens.
Para educadores, o avanço do vape representa um novo desafio no ambiente escolar. “Se antes o foco era combater o cigarro comum, agora precisamos atualizar o discurso e incluir os riscos dos dispositivos eletrônicos, que são muitas vezes discretos e difíceis de identificar”, afirmam profissionais da educação.
Autoridades de saúde pública reforçam a necessidade de ampliar campanhas educativas e intensificar a fiscalização da venda ilegal desses produtos. Também defendem a inclusão do tema de forma mais efetiva no currículo escolar, com linguagem acessível e alinhada à realidade dos adolescentes.
A PeNSE, considerada uma das principais pesquisas sobre saúde e comportamento de estudantes no país, serve como base para a formulação de políticas públicas voltadas à juventude. Os dados de 2024 reforçam um cenário de transição no padrão de consumo de nicotina, exigindo respostas rápidas e estratégias mais eficazes para conter o avanço do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros.
Enquanto o cigarro tradicional perde espaço, o crescimento do vape sinaliza que o desafio do combate ao tabagismo entre jovens está longe de acabar apenas mudou de forma.





