A Heineken, uma das maiores cervejarias do mundo e referência global no setor de bebidas, anunciou nesta quarta-feira (11/2) um plano de reestruturação que prevê o corte de até 6 mil postos de trabalho em escala mundial. A decisão ocorre em meio a um cenário de retração nas vendas e de demanda mais fraca por cervejas em mercados estratégicos, especialmente nas Américas.
Segundo a companhia de origem holandesa, as demissões representarão aproximadamente 7% de todo o seu quadro de funcionários ao redor do mundo. O movimento faz parte de um esforço mais amplo para adequar a estrutura operacional da empresa a um ambiente econômico considerado desafiador, marcado por incertezas comerciais, inflação persistente e mudanças no comportamento do consumidor.
Além dos desligamentos imediatos, a Heineken informou que pretende implementar um programa de produtividade ao longo dos próximos dois anos. A iniciativa poderá resultar em uma redução adicional de 5 mil a 6 mil empregos, como parte de um plano contínuo de eficiência e racionalização de custos.
Durante uma videoconferência para apresentação dos resultados financeiros anuais, o diretor financeiro da Heineken, Harold van den Broek, afirmou que as medidas são estratégicas e visam garantir a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo. “Estamos tomando essas decisões para fortalecer nossas operações, aumentar a eficiência e criar espaço para investir no crescimento futuro da companhia”, explicou o executivo.
Apesar do ambiente mais adverso, a empresa mantém expectativas moderadamente positivas para 2026. A projeção é de crescimento dos lucros entre 2% e 6% neste ano, percentual inferior às estimativas divulgadas anteriormente para 2025, que variavam de 4% a 8%. Ainda assim, a Heineken destacou que conseguiu encerrar 2025 com desempenho acima do esperado: o lucro operacional anual avançou 4,4%, superando as previsões iniciais da companhia.
Os números, no entanto, refletem um período de forte pressão sobre o consumo. No terceiro trimestre do ano passado, a empresa já havia registrado uma queda significativa nas vendas globais de cerveja. Entre julho e setembro de 2025, o recuo foi de 4,3%, impactado principalmente pelas incertezas econômicas e comerciais nas Américas do Norte e do Sul.
No Brasil, um dos mercados relevantes para o grupo, o desempenho foi ainda mais negativo. De acordo com a Heineken, a retração nas vendas superou dois dígitos, evidenciando um consumo mais cauteloso por parte dos brasileiros diante do cenário econômico interno.
Dona de marcas consolidadas como Heineken, Amstel, Birra Moretti e Cruzcampo, a companhia também registrou queda nas receitas. No terceiro trimestre, o faturamento total recuou 1,4%, somando 8,7 bilhões de euros (cerca de R$ 54,3 bilhões). Já a receita líquida apresentou diminuição de 0,3%, alcançando 7,3 bilhões de euros (aproximadamente R$ 45,6 bilhões).
O desempenho nas Américas foi um dos principais fatores de pressão. Os volumes de cerveja comercializados na região caíram 7,4%, reflexo, segundo a empresa, de um “sentimento mais contido do consumidor” e das incertezas comerciais, sobretudo nos Estados Unidos. Ainda assim, a Heineken destacou que parte dessas perdas foi compensada pelo crescimento em outras regiões, como África, Oriente Médio e alguns mercados asiáticos, que apresentaram desempenho mais resiliente.
Com o plano de cortes e a reorganização interna, a Heineken busca atravessar um período de ajustes no setor global de bebidas, apostando em eficiência operacional para sustentar sua competitividade e preparar o terreno para uma retomada do crescimento quando o cenário econômico se mostrar mais favorável.





