Apesar de concluir que não há, no momento, necessidade de transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para prisão domiciliar ou internação hospitalar, a Polícia Federal (PF) acendeu um sinal de alerta ao identificar sintomas neurológicos que podem representar riscos à saúde do ex-mandatário enquanto ele permanece custodiado no Complexo Penitenciário da Papudinha, no Distrito Federal.
As observações constam em laudo elaborado pela perícia médica da corporação e encaminhado nesta sexta-feira (6/2) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, os peritos relatam que Bolsonaro apresenta “sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda”, recomendando a realização de investigação diagnóstica especializada para melhor avaliação do quadro clínico.
Embora o parecer afaste, por ora, a necessidade de medidas mais drásticas, como mudança do regime de custódia ou hospitalização, a PF sugere a adoção imediata de ações paliativas e preventivas, com o objetivo de reduzir riscos e preservar a integridade física do ex-presidente até que avaliações médicas mais aprofundadas sejam concluídas.
Entre as recomendações elencadas no laudo estão intervenções estruturais no alojamento, como a instalação de grades de apoio em corredores e nos boxes de banho, além da ampliação de dispositivos de segurança. A PF orienta ainda a colocação de campainhas de pânico ou emergência adicionais e outros mecanismos de monitoramento em tempo real, visando permitir resposta rápida em caso de incidentes.
O relatório também aponta a necessidade de acompanhamento contínuo de Bolsonaro nas áreas comuns da unidade prisional, de modo a minimizar riscos associados a eventuais episódios de instabilidade ou quedas. No campo clínico, os peritos indicam avaliação nutricional detalhada, com prescrição de dieta específica por profissionais especializados, levando em conta as comorbidades descritas no prontuário médico.
Outro ponto destacado é a recomendação para a prática regular de atividades físicas, incluindo exercícios aeróbicos e resistidos, sempre respeitando a tolerância clínica do paciente. O laudo sugere ainda tratamento fisioterápico contínuo, com foco no fortalecimento muscular e no equilíbrio postural, medidas consideradas essenciais para reduzir riscos de acidentes e melhorar a condição funcional do ex-presidente.
Além dos sintomas neurológicos, a Polícia Federal menciona que Bolsonaro apresenta obesidade clínica. Diante desse quadro, o documento reforça a necessidade de mudanças no estilo de vida, destacando que a adoção de uma rotina voltada à redução de peso é recomendada não apenas para o ex-mandatário, mas para qualquer indivíduo, independentemente do risco cardiovascular.
O laudo será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, que deverá decidir se acata integralmente as recomendações da PF e se determina ajustes nas condições de custódia de Jair Bolsonaro, à luz das avaliações médicas apresentadas e das garantias legais previstas.





