O secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil, coronel da Polícia Militar Henguel Ricardo Pereira, foi nomeado para o cargo de secretário executivo da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP). A posse ocorre nesta segunda-feira (2), marcando uma mudança estratégica na cúpula da pasta responsável pela política de segurança do maior estado do país.
Henguel Pereira passa a ocupar a função anteriormente exercida pelo coronel Paulo Maculevicius Ferreira, que atuava como número dois da SSP durante a gestão do então secretário Guilherme Derrite (PP). Na nova função, o coronel auxiliará diretamente o secretário Osvaldo Nico Gonçalves na condução administrativa e operacional da secretaria.
A nomeação acontece poucos dias após a transferência de Henguel para a reserva da Polícia Militar, oficializada em 30 de janeiro. Com quase quatro décadas de serviços prestados à corporação, o coronel construiu uma trajetória marcada por atuação em áreas estratégicas da segurança pública e da defesa civil. Desde 2022, ainda durante o governo de Rodrigo Garcia (ex-PSDB), ocupava o cargo de secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil.
À frente da Defesa Civil paulista, Henguel priorizou investimentos estruturais voltados à prevenção de desastres naturais e à recuperação de áreas atingidas por eventos climáticos extremos. Entre as principais iniciativas de sua gestão, destacam-se a modernização do sistema de monitoramento meteorológico do estado, com a implantação de novos radares, sirenes de alerta em áreas de risco e o fortalecimento das defesas civis municipais por meio de equipamentos e capacitação técnica.
Sua experiência operacional inclui a participação em ocorrências de grande repercussão nacional. Como oficial da Polícia Militar, esteve envolvido no atendimento ao incêndio que atingiu o Memorial da América Latina, em 2013, além da atuação na resposta à queda do avião da TAM, no Aeroporto de Congonhas, em 2007 uma das maiores tragédias aéreas da história do Brasil.
No cenário internacional, Henguel também teve papel relevante. Em 2023, coordenou o envio de equipes brasileiras para auxiliar nos trabalhos de resgate e apoio humanitário após o terremoto que devastou regiões da Turquia. Já em 2024, chefiou o comitê nacional de apoio ao desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul, liderando ações integradas entre estados e órgãos federais.
Apesar do currículo extenso, a trajetória do coronel também inclui episódios controversos. Henguel Ricardo Pereira foi um dos militares denunciados à Justiça no caso conhecido como “massacre da Castelinho”, uma ação policial ocorrida em março de 2002 que resultou na morte de 12 homens apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O episódio gerou ampla repercussão e debates sobre o uso da força policial.
Em 2014, no entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação penal e absolveu Henguel e os outros 52 acusados, encerrando o processo judicial.
A carreira do coronel teve início em 1989, quando ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Em 1993, foi declarado aspirante a oficial, dando sequência a uma trajetória que incluiu passagens por diversas unidades estratégicas da corporação, como o Comando de Policiamento de Choque (CPChq), o Comando de Bombeiros Metropolitano (CBM) e o Comando de Policiamento de Área Metropolitano-3 (CPA/M-3).
Com a nomeação para a Secretaria Executiva da Segurança Pública, o governo estadual aposta na experiência técnica e operacional de Henguel Pereira para reforçar a gestão da segurança em um contexto de desafios complexos, que envolvem desde o combate ao crime organizado até a integração entre forças policiais e ações de proteção civil.





