Detecta-se na foto anexa, a existência de um ‘’elevado” na frente da Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, no Distrito de Catolés, Município de Abaíra/Ba. O “elevado” ocupava considerável espaço da Rua. Embora a Igreja ainda não fosse tombada pelo IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia, que só veio a ocorrer em 1910, a comunidade o considerava histórico.
Visando a ampliação da Rua, foi feito estudo de viabilidade para a sua demolição e o projeto posto para aprovação popular e do padre Santana, da Paróquia de Rio de Contas a cuja jurisdição eclesiástica era jurisdicionada a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso. O padre aprovou de pronto.
Não me recordo a data, mas numa noite de sábado e do domingo seguinte, reuniram-se na sala de nossa casa, sob a liderança de meu pai, Joao Hipólito Rodrigues, vereador, representantes da Sociedade Civil Organizada, como: Manoel Almeida, advogado provisionado, Joaquim Assunção, Toinzinho Teixeira, Brasilino Assunção, Dozinho, Chico Azevedo, Bidé, Jason, José Assunção, Francisco Magalhães, WIlson Braga, Abel, Antônio de Deolindo, Gustavo, Aquiles Carlos, Mindó, Zé Lima, Isaias de Elce, Otacílio Azevedo, Benedito Assunção, meu tio Antônio de Ioiô Maroto e Urcino Assunção, morador defronte da a Igreja, e proclamaram pela demolição do “elevado” , cuja operação iniciaria na manhã da segunda-feira seguinte, em mutirão. Como para a sua construção não se usou concreto armado, a operação seria facilitada e executada empregando a força física de trabalhadores braçais e a ferramenta disponível: marreta, cunha, alavanca, enxada e pá.
O serviço foi efetivamente iniciado e não me recordo o destino do entulho, leve, a terra, mas as pedras mais pesadas foram transportadas em um carro de boi sob o comando do carreiro de improviso, o polivalente Benedito Assunção e acomodadas na propriedade de Joaquim Assunção, saída para a Aroeira. Eu, Rubens de Mariquinha, Nem de Cote e Zeca de Mindó, acompanhávamos o carreto, ouvindo o gemido tristonho produzido pelo atrito do eixo com o cascão, e voltávamos, montados no carro, Rubens, o mais afinado, cantando a música, Velhas Cartas, de Tônico e Tinôco
São saudosas lembranças que a minha mente e coração fazem questão de não esquecer.






