Operação Digital Fantasma apura desvio de ao menos R$ 2,4 milhões a partir do acesso interno aos sistemas da própria agência; banco identificou irregularidades e acionou a polícia
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, na manhã desta terça-feira (20), o gerente-geral de uma agência bancária suspeito de chefiar um esquema de fraudes financeiras operado a partir do interior da própria instituição. A ação integra a Operação Digital Fantasma, que investiga a utilização indevida de sistemas internos do banco para a contratação irregular de empréstimos e o desvio de recursos de clientes, sobretudo idosos.
Além da prisão do gerente, os agentes detiveram um operador de sistemas e a esposa do investigado, apontados como integrantes do núcleo central da organização criminosa. As prisões ocorreram em Palmeira das Missões, no Noroeste do estado. A ofensiva policial também cumpriu mandados de busca e apreensão em Caçapava do Sul, bem como executou ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias e de ativos financeiros vinculados aos suspeitos.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema foi descoberto após a própria instituição financeira detectar movimentações atípicas durante auditorias internas. “Os controles internos identificaram padrões incompatíveis com a rotina da agência, o que levou o banco a comunicar imediatamente as autoridades”, informou a corporação em nota. A partir daí, foi instaurado o inquérito que culminou na operação desta terça-feira.
Até o momento, sete vítimas diretas foram oficialmente identificadas, além do prejuízo financeiro causado à instituição. Por estratégia investigativa, a polícia não divulgou o nome do banco nem a cidade onde funcionava a agência envolvida.
Como funcionava o esquema
As investigações apontam que o grupo se valia do acesso privilegiado aos sistemas internos do banco para cometer as fraudes. Com dados pessoais de clientes, os suspeitos contratavam empréstimos de alto valor sem qualquer autorização dos titulares e, em seguida, transferiam os recursos para contas controladas pela organização.
“As operações eram realizadas de forma sofisticada, explorando falhas humanas e a confiança inerente ao cargo ocupado pelo gerente”, explicou um dos investigadores responsáveis pelo caso. Segundo a polícia, as principais vítimas eram idosos com idades entre 81 e 96 anos, além de clientes já falecidos, circunstância que dificultava a rápida percepção das irregularidades.
Outro delegado envolvido na apuração destacou que o perfil das vítimas não foi escolhido ao acaso. “O grupo selecionava pessoas com menor acesso a meios digitais ou sem acompanhamento frequente das contas, o que aumentava o tempo de ocultação do crime”, afirmou.
Prejuízo milionário e atuação prolongada
Conforme o levantamento policial, ao menos R$ 2,4 milhões foram desviados. A apuração indica que os crimes ocorreram de forma contínua e organizada por aproximadamente seis meses, concentrando-se no segundo semestre do ano passado.
Para a Polícia Civil, os indícios apontam para uma estrutura criminosa bem definida, com divisão de tarefas e uso recorrente dos sistemas bancários. “Não se trata de um episódio isolado, mas de uma atuação reiterada, planejada e com elevado grau de confiança no acesso interno”, ressaltou a corporação.
As investigações prosseguem para identificar outras possíveis vítimas e eventuais envolvidos, bem como para apurar se houve falhas adicionais nos mecanismos de controle da instituição financeira. Os presos devem responder por crimes como estelionato, organização criminosa e fraude eletrônica, entre outros, cujas penas somadas podem ultrapassar uma década de reclusão.





