Não será necessário esperar o resultado do 2º turno das eleições de presidente da República e governadores para entender que, usando a figura metafórica, o eleitor escreveu com sufrágios no 1º turno, o “Memorial da Mixórdia”. Na ocasião, votou e elegeu candidatos da direita, como governadores, deputados estaduais, federais e número considerável de senadores, com expressivas votações deixando de eleger ou reeleger aqueles que contribuíram e até fomentaram a instalação da mixórdia nos três Poderes da República; a mixórdia se iniciou com a indicação de Alexandre de Moraes para ministro do STF, que assumiu a postura de um déspota tropical. Em abril de 2020, ele suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para diretor-geral da Polícia Federal, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, numa cristalina quebra de harmonia e independência entre os poderes da República.
Vieram muitos outros atos considerados ilegais e abusivos, como as prisões e condenações de participantes dos atos de 8 de Janeiro, destacando-se a severa pena imposta à cabeleireira baiana Débora do Batom, além de descarte de dispositivos constitucionais. Por fim, há o recente envolvimento nos episódios relacionados ao Banco Master e Daniel Varcaro.
Continuando com as mazelas do Poder Judiciário, relembrem-se episódios marcantes: a menção do ministro Luíz Roberto Barroso à frase “eleição não se ganha, se toma” amplamente politizada pela oposição após o pleito de 2022 e seu posterior “perdeu, mané” dito a um manifestante em Nova York. Na mesma esteira de controvérsias, o ministro Benedito Gonçalves dirigiu-se a Alexandre de Moraes dizendo “missão dada, missão cumprida”, recebendo logo depois um cumprimento do presidente Lula com um tapinha na cara. Ontem, o presidente Lula usou a palavra “promiscuidade” ao se referir às lambanças promovidas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em meio a esse cenário de tensões, episódios no plenário envolvendo os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, contra André Mendonça e Luiz Fux, geraram intensos debates na sociedade civil e repercutiram profundamente na nação brasileira e ganhou o mundo, lançando a combalida reputação do STF, para o ar, consubstanciada com as decisões direcionadas do seu presidente Edson Fachin, exercitando sem cerimônia o brocado político e jurídico: “Aos amigos, os favores da lei; aos inimigos, os rigores da lei. Ou outro semelhante, porém de origem bíblica “dois pesos e duas medidas” Consta-se claramente esse procedimento nas decisões relacionadas as seus próprios colegas: rigor da lei para André Mendonça e Luiz Fux e favores da lei para Gilmar Mendes, Flávio Dino e especialmente ao capiroto sem rabo e sem chifre, Alexandre de Moraes.
Passando para o Poder Legislativo, onde se tornou praxe o “toma lá, dá cá”, entre deputados federais e senadores, com a participação direta do Presidente da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. O primeiro condiciona a pauta de votação à compensação espúria de terceiros interessados; o segundo, temeroso pelas decisões de ministros relatores em processos a que responde, salva na nuvem dos computadores do seu gabinete as dezenas de requerimentos que pedem a instauração de impeachment em desfavor de ministros dos Tribunais Superiores, principalmente Alexandre de Moraes, do STF.
Chegando ao Poder Executivo, o seu titular acumula um palavreado chulo, chegando a apontar o dedo médio para o público. Além disso, na sessão eleitoral onde votou, amassou a bandeira brasileira, atirou-a ao chão e pisoteou, em uma ação considerada contravenção penal.
Diante dessa MIXÓRDIA instalada nos três Poderes da República, que devia garantir o equilíbrio democrático, o eleitorado escreveu com sufrágio seu memorial.

Daí o título deste texto – O MEMORIAL DA MIXÓRDIA.






