O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) a intimação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para que apresente esclarecimentos sobre os fundamentos que teriam embasado um suposto monitoramento realizado pela corporação e que culminou em seu afastamento preventivo do cargo.
A decisão ocorre em meio ao avanço dos desdobramentos relacionados às investigações do caso Banco Master, episódio que vem provocando repercussões no cenário jurídico e institucional e colocando sob atenção a atuação de integrantes da Polícia Federal.
Na manhã desta terça-feira, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues pelo período de 90 dias. Segundo o ministro, haveria indícios de que ele próprio teria sido alvo de um “monitoramento sistemático e ilegal” realizado por integrantes da Polícia Federal durante mais de 30 dias.
Diante da gravidade das suspeitas, o magistrado decidiu solicitar explicações diretamente ao comando da corporação. A intimação busca esclarecer quais procedimentos foram adotados, quais elementos fundamentaram as medidas investigativas e se houve respaldo legal para as ações mencionadas na decisão judicial.
O caso ganhou ainda mais repercussão depois que o nome de Andrei Rodrigues apareceu em mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações envolvendo o Banco Master. A menção passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades e contribuiu para ampliar a pressão em torno das circunstâncias que envolvem integrantes da Polícia Federal.
Além do diretor-geral, André Mendonça determinou o afastamento do delegado federal Leandro Almada da Costa, que ocupava o cargo de diretor de Inteligência Policial da PF. A medida alcança, portanto, integrantes de posições estratégicas da estrutura da instituição e amplia o alcance das decisões tomadas pelo ministro.
Segunda Turma forma maioria para manter afastamento
A decisão de Mendonça foi submetida à análise da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Na manhã desta terça-feira, os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus entendimentos e acompanharam integralmente o voto do relator, formando maioria pela manutenção do afastamento preventivo de Andrei Rodrigues.
Antes da formação da maioria, o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, pediu vista do processo, o que significa que solicitou mais tempo para analisar os elementos apresentados no caso antes de apresentar seu voto.
Com o pedido de vista, o julgamento colegiado foi interrompido. Apesar da suspensão da análise, entretanto, a determinação de afastamento permanece válida e produz efeitos imediatamente.
Ainda falta o voto do ministro Dias Toffoli. Dessa forma, embora já exista maioria pela manutenção da decisão de André Mendonça, o julgamento ainda não foi concluído formalmente.
Caso amplia tensão institucional
O episódio ocorre em um momento de elevada sensibilidade institucional, especialmente pela posição estratégica ocupada pela Polícia Federal nas investigações de grande repercussão nacional. O afastamento do diretor-geral e de um dos principais responsáveis pela área de inteligência da instituição coloca sob escrutínio os procedimentos internos adotados pela corporação e levanta questionamentos sobre os limites da atuação investigativa.
A determinação de Mendonça também estabelece um novo capítulo na relação entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal, sobretudo diante da alegação de que um ministro da própria Corte teria sido submetido a monitoramento considerado ilegal.
A partir dos esclarecimentos solicitados, o Supremo deverá avaliar as circunstâncias que envolveram as ações atribuídas à Polícia Federal e os elementos que deram origem às suspeitas apontadas na decisão.
Enquanto o julgamento permanece suspenso em razão do pedido de vista de Gilmar Mendes, o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues segue em vigor. A expectativa agora se concentra nos próximos movimentos processuais, nos esclarecimentos que deverão ser apresentados pela Polícia Federal e no voto que ainda será proferido por Dias Toffoli.
O caso permanece sob forte atenção no meio político e jurídico, diante da dimensão institucional das medidas determinadas e dos possíveis desdobramentos para a condução da Polícia Federal e das investigações relacionadas ao Banco Master.






