Remontando ao outono de 1956, embora com apenas 10 anos, recordo-me que meu pai, João Hipólito Rodrigues, prefeito de Piatã, atendendo reinvindicação dos músicos da Filarmônica Lira Popular Catoleense: José Assunção, Nenzinho, Antônio de Diolino, Abel e os iniciantes Natanael Chaves e Raul Assunção, contratou o maestro Odin Melo, para reger a Filarmônica e simultaneamente, ministrar aulas frequentes para iniciantes e reciclar os veteranos. O contrato impunha ao contratado fixar residência temporária em Catolés. Diante da aceitação de Odin às condições impostas, porquanto residia com esposa e filhos em Abaíra, além de ser também regente da Sociedade Lítero Musical Lira Abairense, os protagonistas da contratação programaram recepção festiva para o Maestro.
Combinaram que o primeiro encontro seria na tarde de um sábado, na Barriguda. Odin viria de Abaíra no caminhão GMC da Prefeitura, conduzido pelo motorista Vadinho, de Abaíra, que prestava serviço temporário ao Município. De Catolés para a Barriguda a condução seria o JEEP Dodge Power Wagon de Manoel Almeida. Na tarde de sábado do encontro, eu e alguns colegas da minha idade não esperamos o Jeep e fomos a pé. Logo depois do Riacho Seco o Jeep passou e além de não parar, Manoel Almeida fez cara de insatisfação por nos ver andando. Quando chegamos naBarriguda o Maestro e os recepcionistas já estavam embarcados nos dois carros, o GMC e o Jeep. Diante do comportamento de Manoel Almeida , obviamente subimos no GMC.
Em Catolés, na tarde e noite, os “comes e bebes” foram servidos na casa de meu pai. Recordo-me sentado no banco marquesa da cozinha esperando ser servido para o jantar, quando aproximaram Manoel Almeida e meu pai. Meu pai logo dizendo: “para a cama”. E ordem de pai não se discute, cumpre. Desci do banco e sem comer e sem beber fui dormir. Na cama imaginei a exposição de Manoel Almeida sobre a minha ida a pé para a Barriguda.
Não sei até quando o Maestro Odin ministrou aulas. Mas a medir pela lição absorvida pelos alunos: Djalma Assunção, Walter neto de seu Onofre, Rubens de Mariquinha, Raul Assunção e Natanael Chaves, o benefício justificou o custo. Raul ainda toca na Sociedade Filarmônica Lira Catoleense e Natanael aprimorou o sopro no trombone.
Nem mesmo o aprendizado e reciclagem transmitidos pelo Maestro aos alunos, me fizeram esquecer da amarga lembrança do castigo recebido e que minha mente e coração ainda guardam com muita evidência.





