Dores persistentes pelo corpo, crises de falta de ar, fadiga intensa e sensação constante de esgotamento. Sintomas frequentemente associados à ansiedade, ao estresse ou até mesmo à depressão podem, na verdade, estar relacionados a doenças físicas ainda não diagnosticadas. Especialistas alertam que a interpretação equivocada desses sinais pode atrasar tratamentos importantes e agravar o quadro clínico dos pacientes.
Segundo o neurocirurgião Bruno Burjaili, do Hospital Sírio-Libanês, é cada vez mais comum que doenças crônicas sejam confundidas com transtornos emocionais, especialmente quando provocam dores contínuas e comprometem diferentes aspectos da rotina.
“O impacto emocional existe e pode ser significativo, mas muitas vezes ele surge como consequência da própria doença física. A dor constante afeta o sono, a disposição, o convívio social e a qualidade de vida do paciente”, explica o especialista.
De acordo com Burjaili, mesmo em quadros considerados de depressão “mais pura”, há alterações orgânicas envolvidas. “A explicação do quadro também passa por mudanças físicas, embora em regiões mais sutis e complexas do sistema nervoso”, afirma.
Entre as enfermidades mais frequentemente confundidas com problemas emocionais está a fibromialgia, síndrome caracterizada por dores difusas e persistentes em diferentes regiões do corpo. O neurocirurgião destaca que o desconforto costuma migrar entre áreas distintas, dificultando o diagnóstico e levando muitos pacientes a ouvirem que os sintomas têm origem exclusivamente psicológica.
“Trata-se de uma dor presente praticamente o tempo todo. Existem impactos afetivos e emocionais associados, mas isso não deve ser interpretado como a causa principal da doença”, ressalta.
Além da fibromialgia, outras condições também aparecem na lista das mais confundidas com ansiedade ou depressão. Entre elas estão a síndrome do intestino irritável, a síndrome da bexiga dolorosa e a síndrome da fadiga crônica doenças que frequentemente apresentam sintomas invisíveis em exames convencionais, mas que provocam sofrimento real e limitações importantes.
Especialistas alertam que a demora no diagnóstico correto pode desencadear um ciclo ainda mais prejudicial. Sem tratamento adequado, o paciente tende a enfrentar piora das dores, isolamento social, dificuldades profissionais e desgaste emocional progressivo.
“A fibromialgia, por exemplo, quando não tratada, pode sim desencadear quadros mais graves de depressão e ansiedade, tornando o tratamento mais complexo e prolongado”, alerta Burjaili.
A recomendação dos médicos é que sintomas persistentes nunca sejam ignorados ou automaticamente atribuídos apenas ao emocional. A investigação clínica detalhada e o acompanhamento multidisciplinar são considerados fundamentais para garantir um diagnóstico preciso e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.





