O governo federal inicia, nesta terça-feira (5), uma nova etapa de enfrentamento ao alto nível de endividamento das famílias brasileiras com o lançamento do programa Novo Desenrola Brasil. A iniciativa amplia o alcance das políticas de renegociação de dívidas, oferecendo descontos significativos e condições de refinanciamento com juros limitados a 1,99% ao mês.
A medida surge em um contexto de pressão sobre o orçamento doméstico e busca reequilibrar as finanças de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que estimula a retomada do consumo e da atividade econômica.
Estrutura do programa
O Novo Desenrola Brasil foi estruturado em diferentes frentes, com foco em públicos específicos e modalidades variadas de crédito. Entre elas estão:
- Desenrola Famílias, voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas;
- Desenrola Fies, direcionado a contratos do financiamento estudantil;
- Desenrola Empresas, que incorpora iniciativas como o Pronampe e o ProCred, voltadas a micro e pequenas empresas;
- Desenrola Rural, destinado ao setor agrícola.
Cada linha possui regras próprias, mas compartilha o objetivo central de facilitar o acesso ao crédito em condições mais favoráveis e reduzir a inadimplência.
Quem pode participar
No caso do Desenrola Famílias, principal eixo do programa, são elegíveis dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos. Entram nesse grupo débitos relacionados a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Podem aderir brasileiros com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105. Segundo o Ministério da Fazenda, esse recorte foi definido para concentrar esforços na parcela mais impactada pelo endividamento.
Condições e descontos
Os descontos oferecidos variam conforme o tipo de dívida e o tempo de atraso. No crédito pessoal, a redução pode variar de 30% a 80% do valor devido. Já no rotativo do cartão de crédito uma das modalidades mais caras do mercado os abatimentos vão de 40% a até 90%.
De acordo com o governo, quanto maior o tempo de inadimplência, maior tende a ser o desconto concedido, incentivando a regularização de dívidas mais antigas.
Como aderir
A adesão ao programa deve ser feita diretamente junto às instituições financeiras. O Ministério da Fazenda recomenda que o contato seja realizado, preferencialmente, por meio dos aplicativos bancários, como forma de reduzir riscos de fraude.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, todos os grandes bancos do país aderiram à iniciativa, além de diversas instituições de menor porte, ampliando o alcance do programa.
“Estamos falando da grande maioria da população. Ao fazer esse recorte, eu otimizo o recurso mobilizado, garanto uma taxa de juros menor, aumento a eficiência do programa e consigo atender mais de 90% dos brasileiros”, afirmou o ministro.
Impacto esperado
A expectativa do governo é que o Novo Desenrola Brasil contribua para reduzir os índices de inadimplência no país, ao mesmo tempo em que libera renda para o consumo e fortalece a atividade econômica.
Especialistas apontam que, além do alívio imediato para as famílias, o programa pode ajudar a reorganizar o sistema de crédito, ao diminuir o risco para as instituições financeiras e ampliar a capacidade de concessão de novos empréstimos.
Com início imediato, o sucesso da iniciativa dependerá, sobretudo, da adesão dos consumidores e da capacidade dos bancos de operacionalizar as renegociações de forma ágil e segura.





