O senador Angelo Coronel anunciou o rompimento com a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual cenário de disputa presidencial. A mudança de posicionamento político ocorre em meio às articulações para as próximas eleições e evidencia tensões dentro do grupo governista na Bahia.
A decisão, segundo o senador Angelo Coronel, foi motivada por insatisfações com o Partido dos Trabalhadores na composição da chapa majoritária no estado. o senador Angelo Coronel afirma ter sido deixado de fora da chamada chapa “puro-sangue”, formada exclusivamente por nomes petistas, o que teria gerado desconforto e levado ao afastamento. Em entrevista, o senador foi direto ao comentar sua escolha: “Mudei de lado. Meu voto pessoal é nele […] já que o PT não me quis, não posso querer eles. O PT abocanhou as três vagas, tudo pela ganância deles”, declarou.
Historicamente aliado do PT na Bahia, Angelo Coronel vinha integrando a base de apoio ao governo federal, mantendo proximidade com lideranças importantes do partido no estado. O rompimento, no entanto, sinaliza uma reconfiguração no cenário político baiano, sobretudo diante da disputa por espaços nas chapas eleitorais e da busca por protagonismo nas eleições que se aproximam.
Nos bastidores, a exclusão do senador Angelo Coronel da composição majoritária teria sido interpretada como um movimento estratégico do PT para fortalecer candidaturas próprias, o que acabou gerando atritos com partidos aliados. A opção por uma chapa “puro-sangue” , expressão utilizada para indicar candidaturas formadas apenas por filiados de um mesmo partido é vista por analistas como uma tentativa de consolidar o controle político e eleitoral da legenda no estado.
O apoio declarado a Flávio Bolsonaro, por sua vez, representa uma mudança significativa de alinhamento ideológico e político. Flávio é uma das principais lideranças do campo conservador e figura próxima ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que amplia o impacto da declaração do senador Angelo Coronel no cenário nacional. A movimentação pode influenciar alianças regionais e repercutir em outras articulações políticas, tanto na Bahia quanto em nível federal.
Especialistas avaliam que o gesto do senador reflete não apenas divergências locais, mas também a dinâmica mais ampla da política brasileira, marcada por rearranjos frequentes de alianças e disputas internas por espaço e poder. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nos próximos meses, à medida que os partidos intensificam negociações e definem estratégias para o pleito.
Enquanto isso, lideranças do PT ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as declarações do senador Angelo Coronel. Nos corredores políticos, o episódio já é visto como mais um capítulo das complexas relações entre partidos aliados, especialmente em estados onde a disputa por protagonismo é mais acirrada.





