O Brasil vive um cenário preocupante no que diz respeito à liberdade de imprensa no ambiente digital. De acordo com o mais recente Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão, divulgado nesta terça-feira (7), data em que se celebra o Dia do Jornalista, o país contabilizou cerca de 900 mil ataques virtuais direcionados a profissionais da imprensa ao longo de 2025.
O volume expressivo de ocorrências representa uma média alarmante de aproximadamente 2.465 agressões por dia, o equivalente a cerca de 2 ataques por minuto. Os números evidenciam uma escalada significativa da hostilidade no ambiente online, com um crescimento de 35% em relação ao ano anterior, quando foram registrados cerca de 704 mil episódios, até então o menor índice desde o início da série histórica.
O levantamento foi apresentado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), com base em monitoramento realizado em parceria com a empresa Bites, especializada em análise de dados digitais. A pesquisa revela não apenas o aumento quantitativo das agressões, mas também a intensificação do discurso de ódio direcionado à atividade jornalística.
Entre os termos mais recorrentes nas publicações ofensivas estão expressões como “lixo”, “podre”, “velha”, “canalha” e “golpista”, frequentemente utilizadas para desqualificar veículos de comunicação e profissionais da área. O estudo aponta que parte desse crescimento está associado à reação de grupos insatisfeitos com decisões judiciais relacionadas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Além do ambiente virtual, o relatório também chama atenção para a persistência da violência fora das redes. Em 2025, foram registrados 66 casos de agressões não letais, envolvendo ao menos 80 jornalistas e organizações de mídia. Embora esses números representem uma redução de 9,1% nos casos e de 5% no total de vítimas em comparação com o período anterior, a frequência ainda é considerada elevada, com registros de violência a cada cinco dias.
Outro dado relevante do estudo indica que homens foram as principais vítimas dos ataques, enquanto profissionais ligados a emissoras de televisão concentraram a maior parte das ocorrências. No que diz respeito aos autores das agressões, políticos e ocupantes de cargos públicos aparecem como os principais responsáveis, seguidos por torcedores e integrantes de grupos associados ao futebol.
Especialistas avaliam que o cenário reflete um ambiente de crescente polarização e intolerância, em que o trabalho jornalístico, essencial para a democracia e para o acesso à informação de qualidade, passa a ser alvo constante de descredibilização e ataques sistemáticos.
Diante desse contexto, entidades representativas da imprensa reforçam a importância de medidas que garantam a proteção aos profissionais da comunicação, bem como o fortalecimento de políticas públicas e mecanismos legais capazes de coibir a violência, tanto no meio digital quanto no físico.





