Pela primeira vez desde o início da série histórica, as plataformas digitais assumiram a liderança na preferência dos brasileiros quando o assunto é consumo de notícias políticas. Levantamento recente do Instituto Quaest revela uma mudança estrutural no comportamento informacional da população: 39% dos entrevistados afirmam utilizar redes sociais como principal fonte, enquanto 34% ainda recorrem à televisão.
O dado marca o fim de uma hegemonia histórica da TV aberta e fechada, que por décadas dominou o cenário da informação política no país. Esse movimento já vinha sendo sinalizado desde dezembro de 2025, quando foi registrado um empate técnico entre os dois meios, ambos com 35% da preferência. Agora, a virada se consolida e com ela, um novo capítulo na comunicação política brasileira.
Transformação no consumo de informação
Desde maio de 2024, quando a Quaest iniciou a série histórica, a televisão mantinha a dianteira com relativa folga. No entanto, o avanço contínuo das plataformas digitais reflete uma transformação profunda no perfil do eleitor brasileiro, cada vez mais conectado, imediatista e em busca de conteúdos personalizados.
As redes sociais oferecem velocidade, diversidade de fontes e possibilidade de interação fatores que ajudam a explicar a ascensão. Diferente da programação tradicional da TV, o ambiente digital permite ao usuário selecionar, comentar e compartilhar conteúdos, criando uma experiência mais ativa no consumo da informação.
Percepção política é marcada por viés ideológico
O levantamento também evidencia que a forma como os brasileiros consomem e interpretam notícias políticas está diretamente ligada à sua posição ideológica.
Entre os eleitores identificados como “lulistas”, predomina uma visão positiva sobre o governo federal: 62% afirmam consumir conteúdos com viés favorável. Na chamada esquerda não lulista, o índice também é majoritariamente positivo, alcançando 54%.
No campo oposto, o cenário é significativamente diferente. Entre os bolsonaristas, 76% relatam ter contato predominante com notícias negativas sobre a atual gestão, evidenciando um ambiente informacional marcado por forte rejeição.
Já entre os independentes grupo considerado estratégico em disputas eleitorais prevalece uma postura mais crítica. Segundo a pesquisa, 45% avaliam as notícias sobre o governo como negativas, enquanto apenas 19% as percebem de forma positiva, indicando um eleitorado mais cético e menos alinhado a narrativas polarizadas.
Direita demonstra maior consolidação digital
Outro ponto destacado pelo estudo é o desempenho dos diferentes campos políticos no ambiente digital. De acordo com a Quaest, a direita apresenta maior capacidade de organização e presença nas plataformas, com discursos mais homogêneos e bem definidos.
Tanto bolsonaristas quanto setores da esquerda não lulista demonstram posições ideológicas consistentes. Em contraste, o grupo dos independentes aparece com menor engajamento estruturado e maior oscilação de opinião, o que reforça seu papel como fiel da balança no cenário político.
Impactos para o futuro da comunicação política
A ultrapassagem das redes sociais sobre a televisão não representa apenas uma mudança de hábito, mas também um desafio para instituições, partidos e veículos de comunicação. A dinâmica digital exige rapidez, adaptação de linguagem e combate constante à desinformação.
Especialistas avaliam que o cenário tende a se intensificar nos próximos ciclos eleitorais, com campanhas cada vez mais orientadas para o ambiente online. Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade das plataformas e dos agentes públicos na garantia da qualidade da informação.
A nova realidade aponta para um eleitor mais conectado mas também mais exposto a bolhas informacionais e narrativas segmentadas. Nesse contexto, entender como, onde e por que o brasileiro se informa se torna peça-chave para compreender os rumos da democracia no país.





