O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), anunciou que deixará o comando da pasta nos próximos dias para cumprir a legislação eleitoral e viabilizar sua participação no pleito de outubro. A saída deve ocorrer, segundo o próprio ministro, até o dia 2 de abril, antecipando o prazo oficial de desincompatibilização.
A declaração foi feita em São Paulo, durante entrevista coletiva concedida após participação em um seminário promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que debateu o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) , tema tratado como uma das principais vitrines da atual gestão no MDIC.
Com um tom sereno, porém estratégico, Alckmin reforçou que seguirá exercendo a vice-presidência da República, função que, por não exigir afastamento para fins eleitorais, continuará sendo desempenhada normalmente. Já o ministério, explicou, exige a desincompatibilização dentro do prazo legal.
“Cumprindo a legislação, a vice-presidência não tem desincompatibilização para participar da eleição. Mas do ministério, tem. A data é 4 de abril, mas, como o dia 3 é Sexta-Feira Santa, provavelmente no dia 2 deixarei o ministério”, afirmou.
Apesar de ter o nome ventilado nos bastidores políticos como possível candidato ao Senado por São Paulo, Alckmin evitou confirmar qualquer definição. Em tom cauteloso ou, como diriam analistas, em um movimento de “prudência política” , ele destacou que a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O presidente define”, disse, de forma direta, ao ser questionado sobre qual cargo pretende disputar. Em seguida, acrescentou: “São os últimos dias e estamos muito felizes”, sinalizando satisfação com o trabalho realizado à frente da pasta.
Nos corredores do poder ou “nos bastidores de Brasília”, como preferem os comentaristas políticos , a leitura é de que Alckmin mantém aberta a possibilidade de repetir a dobradinha com Lula em 2026, como candidato a vice-presidente, cargo que ocupa atualmente.
Durante a entrevista, o vice-presidente também praticamente confirmou uma das apostas do grupo governista para o Senado: a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Segundo ele, a filiação da ministra ao PSB deve consolidar sua candidatura na chapa apoiada pelo presidente.
“A ocupante da cadeira ao Senado está aqui: a ministra Simone Tebet, que hoje vai assinar a ficha no PSB e deverá ser nossa candidata ao Senado Federal. Reúne a experiência de quem foi prefeita, vice-governadora, senadora da República, ministra da República e candidata a presidente com espírito público”, declarou Alckmin, em tom elogioso.
A movimentação reforça o redesenho político em curso dentro da base governista e aponta para uma articulação antecipada visando as eleições de 2026. Entre alianças, estratégias e reposicionamentos ou, como se diz na linguagem política, um verdadeiro “xadrez eleitoral” , a saída de Alckmin do MDIC marca mais um passo na reorganização do cenário nacional.





