Apesar da melhora gradual no mercado de trabalho brasileiro, o desemprego segue atingindo de forma desigual diferentes regiões, faixas etárias e gêneros. Dados detalhados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelam que mulheres da Região Nordeste e jovens do Sudeste foram os grupos mais impactados no quarto trimestre de 2025.
A taxa de desocupação nacional caiu para 5,1%, o menor patamar observado nos últimos anos, sinalizando um cenário de recuperação econômica. No entanto, os números expõem que essa redução não foi homogênea. No Nordeste, por exemplo, o desemprego entre as mulheres alcançou 8,8%, índice significativamente superior ao registrado entre os homens da região, que ficou em 5,9%. A diferença evidencia uma persistente desigualdade de gênero no acesso às oportunidades de trabalho.
No recorte etário, o levantamento chama atenção para a situação dos adolescentes e jovens. No Sudeste, região que concentra parte expressiva da atividade econômica do país, 22,8% dos jovens entre 14 e 17 anos estavam sem ocupação no período analisado. O dado reforça as dificuldades enfrentadas por quem busca o primeiro emprego, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo e exigente em qualificação.
Outras regiões apresentaram desempenho mais favorável. A Região Sul registrou a menor taxa de desemprego do país, com 3,1%, seguida pelo Centro-Oeste, com 3,9%, e pelo próprio Sudeste, que, apesar do alto índice entre os mais jovens, manteve taxa geral de 4,8%. Já o Nordeste continuou liderando os índices de desocupação em diversas faixas etárias, incluindo a população de 18 a 24 anos, que apresentou taxa de 16,7%.
Para especialistas, os dados indicam que a queda do desemprego em nível nacional não elimina desafios estruturais históricos. A desigualdade regional, a vulnerabilidade dos jovens e as barreiras enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho continuam sendo entraves relevantes. Segundo analistas, políticas públicas focadas em qualificação profissional, incentivo à inserção de jovens e promoção da igualdade de gênero são fundamentais para que a recuperação do emprego seja mais equilibrada e inclusiva.
O levantamento do IBGE reforça, portanto, que o avanço nos indicadores gerais precisa ser acompanhado de ações específicas para reduzir as disparidades que ainda marcam o mercado de trabalho brasileiro.





