Presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, cobra atuação ética dos partidos, reforça papel da Justiça Eleitoral e destaca importância da imprensa no fortalecimento da democracia.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou a sessão extraordinária que marcou a abertura oficial do Ano Judiciário Eleitoral de 2026. A solenidade foi conduzida pela presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, que, em pronunciamento firme, enfatizou a necessidade de que os partidos políticos atuem estritamente dentro dos parâmetros da legalidade, da moralidade administrativa e da transparência pública.
Ao se dirigir aos magistrados, membros do Ministério Público Eleitoral, representantes dos partidos e demais autoridades presentes, a ministra destacou que cabe ao Judiciário assegurar um processo eleitoral confiável, íntegro e transparente, com foco permanente na proteção dos direitos constitucionais e no fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Segundo ela, a Justiça Eleitoral deve manter uma postura rigorosa e intransigente diante de práticas que atentem contra a lisura do sistema eleitoral.
“Espera-se também que os partidos políticos, postos na Constituição do Brasil como instituições essenciais à prática democrática, igualmente atuem no ambiente da legalidade, da moralidade e da clareza pública de seus comportamentos e na busca dos fins sociais a que se destinam”, afirmou a presidente do TSE, ao ressaltar o papel central das agremiações partidárias na consolidação da democracia brasileira.
Durante o discurso, Cármen Lúcia reforçou que não há espaço, em um regime democrático, para ilegalidades ou para aquilo que classificou como “desvios jurídicos”. Para a ministra, a observância estrita das normas eleitorais é condição indispensável para garantir a confiança da sociedade no processo eleitoral e na legitimidade dos resultados das urnas.
A presidente da Corte também saiu em defesa dos profissionais de imprensa, destacando a relevância do jornalismo para a correção de rumos institucionais e para o aprimoramento contínuo da democracia. De acordo com ela, a atuação responsável da mídia contribui para a fiscalização do poder público e para a ampliação do debate democrático, ao dar visibilidade a diferentes pontos de vista.
“Não somos senhores das verdades, cada vez mais difíceis de serem reconhecidas. Mas devemos ser democratas para ouvir igualmente os diferentes, para aprendermos novas possibilidades de compreensão do mundo, para dialogarmos sobre essas visões e práticas diversas que habitam esse mundo”, pontuou a ministra, ao defender o pluralismo de ideias e o respeito às divergências como pilares da vida democrática.
A abertura do Ano Judiciário Eleitoral de 2026 sinaliza, segundo integrantes da Corte, um período de atenção redobrada à legalidade dos processos políticos e eleitorais, sobretudo diante dos desafios impostos pelo ambiente digital, pela desinformação e pela crescente polarização. Nesse contexto, o TSE reafirma seu compromisso com a defesa da Constituição, a integridade das eleições e o fortalecimento das instituições democráticas do país.





