A empresa do médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, preso após matar dois colegas de profissão em um restaurante de alto padrão no bairro Alphaville Plus, em Barueri, na Grande São Paulo, afirmou que o desentendimento que culminou na tragédia ocorreu em “âmbito estritamente pessoal”. O caso, no entanto, é investigado pela Polícia Civil como uma possível consequência de uma disputa por contratos de licitação na área de gestão hospitalar.
Em nota encaminhada às autoridades, a Cirmed Brasil, empresa da qual Carlos Alberto é proprietário, destacou que o episódio não reflete os valores institucionais da organização. A empresa esclarece que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Os fatos pessoais e isolados do sócio não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais, operações, contratos ou rotinas internas.
Segundo o delegado Andreas Schiffmann, responsável pelas investigações, há indícios de que o crime esteja relacionado a uma rivalidade profissional antiga. De acordo com ele, Carlos Alberto Azevedo Silva Filho e uma das vítimas, o médico Luís Roberto Pellegrini Gomes, eram proprietários de empresas concorrentes que atuam no setor de gestão hospitalar. “Eles disputavam contratos, especialmente na área de licitações públicas, o que pode ter acirrado os ânimos entre as partes”, afirmou o delegado em entrevista.
A Polícia Civil apura se a discussão ocorrida no restaurante teria sido motivada por essa concorrência empresarial e se houve algum episódio recente que tenha intensificado o conflito. Testemunhas relataram que o ambiente era tranquilo até a chegada de Carlos Alberto ao local, onde Luís Roberto jantava acompanhado de Vinicius dos Santos Oliveira, também médico e funcionário de sua empresa.
Vinícius, que não tinha histórico conhecido de conflitos com o autor do crime, acabou sendo atingido durante o ataque e morreu no local. A polícia trabalha com a hipótese de que ele tenha sido vítima colateral da ação, já que estava ao lado do empresário no momento do confronto.
O caso gerou forte repercussão no meio médico e empresarial, sobretudo pela gravidade do episódio e pelo perfil dos envolvidos, todos profissionais reconhecidos na área da saúde suplementar e da gestão hospitalar. Entidades médicas e representantes do setor manifestaram pesar pelas mortes e cobraram uma apuração rigorosa dos fatos.
Carlos Alberto Azevedo Silva Filho permanece preso e à disposição da Justiça. A investigação segue em andamento, com análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e a coleta de provas periciais. A Polícia Civil busca esclarecer de forma definitiva se a motivação do crime foi exclusivamente pessoal, como sustenta a empresa, ou se teve relação direta com disputas comerciais e contratos milionários no setor da saúde.





