O ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) decidiu voltar à disputa eleitoral deste ano e confirmou que será candidato a uma das duas vagas do Senado pelo estado. A mudança de posição foi anunciada nesta sexta-feira (28), em Belo Horizonte, depois de uma série de apelos de aliados e lideranças políticas que, segundo o próprio tucano, o convenceram a reconsiderar a decisão de não participar da eleição.
Aécio havia declarado anteriormente que não seria candidato em 2026. A nova decisão, porém, altera de maneira significativa o cenário da disputa pelo Senado em Minas Gerais e coloca novamente no centro do debate eleitoral um dos nomes mais conhecidos da política mineira.
Em uma publicação nas redes sociais, antes de conceder entrevista coletiva na capital mineira, o ex-governador explicou os motivos que o levaram a rever sua posição. Segundo Aécio, nos últimos dias ele recebeu manifestações de apoio e pedidos para reconsiderar a decisão vindos de diferentes regiões do estado.
“Há alguns dias, anunciei para todo o Brasil que não seria candidato nestas eleições”, escreveu o tucano. Na sequência, relatou ter sido procurado por “centenas de companheiras e companheiros de todas as partes de Minas” e anunciou a mudança de planos: “serei candidato”.
A declaração encerrou semanas de especulações em torno do futuro eleitoral do ex-governador e confirmou sua disposição de voltar às urnas em uma disputa que promete ser uma das mais acirradas do cenário político mineiro.
Aécio entra na chapa de Alexandre Kalil
Durante a entrevista coletiva realizada em Belo Horizonte, Aécio confirmou que disputará o Senado integrando a chapa do PDT, que terá Alexandre Kalil como candidato ao governo de Minas Gerais.
O ex-governador também agradeceu ao PDT, ao PSDB e à federação PSDB-Cidadania pela construção do acordo político que viabilizou sua entrada na disputa.
A composição representa uma movimentação relevante no tabuleiro eleitoral mineiro. Aécio possui trajetória consolidada no estado, tendo ocupado cargos de destaque na política nacional e estadual, incluindo o governo de Minas Gerais, além de ter sido deputado federal e senador.
Sua decisão de retornar à corrida eleitoral, portanto, não apenas acrescenta um nome de peso à disputa pelo Senado, mas também pode provocar mudanças nas estratégias dos demais candidatos e das alianças partidárias estabelecidas para a eleição.
Disputa pelas duas vagas ganha novo componente
A eleição para o Senado em Minas Gerais terá duas cadeiras em disputa neste ano, o que torna a corrida especialmente competitiva. Antes da confirmação de Aécio, nomes como Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP) apareciam próximos nas pesquisas, enquanto a petista Marília Campos ocupava posição de destaque.
No levantamento Real Time Big Data divulgado na quinta-feira (27), Marília Campos aparece com 24% das intenções de voto no consolidado dos dois votos. Carlos Viana e Domingos Sávio registraram 13% cada, enquanto Marcelo Aro alcançou 12%.
Um ponto importante, entretanto, é que Aécio Neves não foi incluído entre os nomes apresentados aos entrevistados nessa pesquisa. Dessa forma, o levantamento não permite medir diretamente qual seria seu desempenho eleitoral naquele momento nem estimar, a partir dos números divulgados, o impacto imediato de sua entrada na disputa.
A presença do tucano tende, contudo, a aumentar a fragmentação entre os principais candidatos e poderá modificar o equilíbrio observado nas próximas pesquisas. Com duas vagas disponíveis e um eleitorado que poderá escolher dois candidatos ao Senado, a estratégia de cada campanha deverá ser determinante para a consolidação das candidaturas.
Mudança de planos movimenta o cenário político
A decisão de Aécio ocorre em um momento no qual as articulações políticas em Minas Gerais entram em uma etapa decisiva. A composição das chapas, a formação das alianças e a capacidade de cada candidato de ampliar sua presença regional deverão ganhar ainda mais importância ao longo da campanha.
O retorno do ex-governador também recoloca em evidência sua força política e sua capacidade de mobilização dentro do estado. Ao justificar a mudança de decisão pela pressão de aliados e apoiadores, Aécio sinalizou que existe, entre setores de sua base política, uma expectativa de participação direta na eleição deste ano.
A candidatura também terá reflexos dentro do próprio campo político mineiro, especialmente pela necessidade de reorganização das alianças e das estratégias eleitorais diante de um cenário que já apresentava elevada competitividade.
Questão jurídica viabiliza candidatura
A mudança de posição ocorre depois do prazo inicialmente previsto para alterações nas candidaturas, mas Aécio pretende utilizar uma possibilidade prevista na legislação eleitoral para viabilizar sua entrada na disputa.
Segundo a justificativa apresentada, a candidatura poderá ser registrada em razão da renúncia de outro candidato da chapa, mecanismo que permite a substituição dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral, desde que observados os requisitos e prazos aplicáveis ao caso.
A formalização da candidatura, portanto, ainda deverá seguir os procedimentos legais e eleitorais necessários para que o nome de Aécio seja efetivamente incluído na disputa pelo Senado.
Com a confirmação, o ex-governador retorna oficialmente ao centro da corrida eleitoral mineira e acrescenta uma nova variável a uma eleição marcada por forte disputa pelas duas cadeiras disponíveis. O impacto de sua entrada deverá começar a aparecer nas próximas pesquisas e, principalmente, na reorganização das alianças e estratégias dos demais concorrentes.
A eleição para o Senado em Minas Gerais, que já despontava como uma das mais disputadas do país, ganha agora um novo capítulo com o retorno de Aécio Neves à arena eleitoral. O tucano terá pela frente o desafio de transformar o apoio político recebido nas últimas semanas em votos e superar uma disputa que reúne nomes com diferentes bases eleitorais e projetos para o estado.






