A esposa do delegado Dannilo Proto, atualmente preso em Goiânia, foi detida nesta semana no município de Rio Verde, no sudoeste goiano. De acordo com informações do Ministério Público de Goiás (MP-GO), Karen Proto é suspeita de ter levado um aparelho celular ao marido enquanto ele estava custodiado na Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), na capital do estado, o que teria possibilitado a manutenção de contatos externos mesmo após a prisão.
Segundo o MP-GO, a conduta vai além da tentativa de burlar o sistema prisional. Karen Proto também é apontada como integrante de uma organização criminosa investigada por irregularidades em contratos públicos, especialmente na área da educação. As apurações indicam que o grupo teria participado de mais de 40 processos licitatórios e movimentado aproximadamente R$ 2,2 milhões em recursos públicos destinados ao setor educacional.
Karen Proto ocupou o cargo de coordenadora regional de Educação em Rio Verde entre os anos de 2019 e 2024. Para os promotores, a função exercida por ela era considerada estratégica, pois permitiria influência direta em decisões administrativas relacionadas à manutenção e à execução de contratos. A suspeita é de que, a partir dessa posição, ela teria facilitado a continuidade de acordos considerados irregulares, assegurando benefícios ao esquema investigado.
Durante a operação que resultou em sua detenção, foram cumpridos mandados de busca e apreensão com o objetivo de recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais. Esses itens, segundo o MP-GO, podem reforçar o conjunto probatório já reunido ao longo da investigação, que apura a atuação de uma rede organizada voltada ao desvio de recursos públicos.
Ainda conforme o Ministério Público, mesmo após o afastamento e a prisão de Dannilo Proto, a organização criminosa teria permanecido em atividade. A investigação aponta que pessoas próximas ao delegado teriam assumido o papel de manter o funcionamento do esquema, utilizando canais de comunicação para repassar orientações e alinhar estratégias. O celular supostamente entregue por Karen Proto ao marido seria uma das ferramentas utilizadas para essa articulação.
Os promotores sustentam que Karen Proto também teria atuado como elo entre os integrantes do grupo, promovendo a circulação de informações e instruções internas, mesmo com o principal investigado sob custódia do Estado. Essa atuação, segundo a acusação, reforça a tese de que o esquema possuía estrutura organizada e divisão de tarefas bem definida.
Além de Karen Proto e de Dannilo Proto, outras pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa foram denunciadas pelo MP-GO. Conforme descrito na peça acusatória, os investigados teriam cometido crimes relacionados ao Programa Reformar e a outros projetos de obras e serviços vinculados à Secretaria de Estado da Educação (Seduc), além de contratos ligados à impressão de material pedagógico do programa Revisa Goiás.
As investigações seguem em andamento, e o MP-GO afirma que novas diligências não estão descartadas. O objetivo, segundo os promotores, é aprofundar a apuração sobre o alcance do esquema, identificar outros possíveis envolvidos e assegurar a responsabilização criminal de todos os que, direta ou indiretamente, tenham participado das supostas irregularidades.





