A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES) confirmou, nesta sexta-feira (26), o registro de mais três casos de sarampo no estado, elevando para cinco o número total de diagnósticos da doença em 2026. Os novos casos foram identificados na capital paulista e no município de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, envolvendo crianças com idade entre seis meses e um ano.
Segundo a pasta, os três bebês já se recuperaram completamente e não apresentam mais sintomas da doença. Apesar da evolução clínica favorável, os novos registros acenderam um sinal de alerta entre as autoridades sanitárias, principalmente porque dois dos pacientes não haviam recebido a vacina contra o sarampo e nenhum deles possuía histórico recente de viagens, fator que normalmente está associado aos chamados casos importados.
A ausência de deslocamentos internacionais ou para áreas com circulação conhecida do vírus faz com que os especialistas concentrem esforços para identificar a origem da transmissão, levantando a possibilidade de circulação viral dentro do próprio estado.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, as investigações epidemiológicas estão sendo conduzidas em parceria com o Centro de Vigilância Epidemiológica Professor Alexandre Vranjac (CVE-SP) e o Ministério da Saúde. O objetivo é rastrear contatos próximos, identificar possíveis cadeias de transmissão e impedir que novos casos sejam registrados nas próximas semanas.
Os três novos diagnósticos diferem dos dois primeiros casos confirmados neste ano. Entre março e abril, São Paulo registrou a infecção de um bebê de seis meses e de um homem de 42 anos, ambos classificados como casos importados, ou seja, relacionados a infecções adquiridas fora do território estadual.
Com os novos registros, o cenário passa a ser acompanhado com ainda mais atenção pelas equipes de vigilância em saúde, já que o sarampo é considerado uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo. O vírus pode ser transmitido pelo ar, por meio de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar, espalhando-se rapidamente entre pessoas que não possuem proteção vacinal.
Entre os principais sintomas estão febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse persistente, coriza, olhos avermelhados e mal-estar intenso. Em crianças pequenas, idosos e pessoas com baixa imunidade, a doença pode evoluir para complicações graves, incluindo pneumonia, encefalite e até óbito.
Diante da confirmação dos novos casos, a Secretaria da Saúde reforçou o apelo para que pais e responsáveis procurem as unidades básicas de saúde e mantenham a carteira de vacinação em dia. A vacinação continua sendo considerada a principal estratégia para prevenir a circulação do vírus e evitar novos surtos.
Atualmente, os índices de cobertura vacinal em São Paulo permanecem abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Conforme dados divulgados pela SES, a cobertura da primeira dose da vacina contra o sarampo é de 85,32%, enquanto a segunda dose alcança apenas 72,06%.
Especialistas alertam que esses percentuais ainda estão distantes da meta mínima de 95%, considerada necessária para garantir a chamada imunidade coletiva. Quando a cobertura vacinal cai abaixo desse patamar, aumenta significativamente o risco de reintrodução do vírus e da ocorrência de surtos, especialmente em regiões de grande circulação de pessoas.
O Brasil recebeu, nos últimos anos, o reconhecimento pela eliminação da circulação endêmica do sarampo, mas episódios pontuais continuam sendo registrados em diferentes estados, geralmente associados a casos importados ou à baixa cobertura vacinal em determinados grupos populacionais.
As autoridades de saúde destacam que manter o esquema vacinal atualizado é uma responsabilidade coletiva, essencial para proteger não apenas quem recebe a vacina, mas também pessoas que, por questões médicas ou de idade, ainda não podem ser imunizadas.
Enquanto as investigações seguem em andamento, a recomendação permanece clara: qualquer pessoa que apresente sintomas compatíveis com o sarampo deve procurar atendimento médico imediatamente e evitar contato com outras pessoas até a avaliação de um profissional de saúde.
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