A chegada de um animal de estimação à família costuma vir acompanhada de uma série de cuidados essenciais. Entre eles, a vacinação ocupa posição de destaque, principalmente nos primeiros meses de vida de cães e gatos. No entanto, um comportamento bastante comum entre tutores tem preocupado médicos-veterinários em todo o país: a interrupção dos reforços vacinais após a fase inicial de imunização.
Embora muitos proprietários cumpram rigorosamente o calendário de vacinação durante a infância dos pets, a manutenção dessa proteção ao longo da vida ainda é negligenciada por parte significativa da população. O resultado pode ser preocupante: animais expostos a doenças altamente contagiosas, capazes de causar graves complicações de saúde e, em muitos casos, levar à morte.
Especialistas alertam que a vacinação não deve ser encarada como um procedimento realizado apenas nos primeiros meses de vida. Assim como ocorre com os seres humanos, cães e gatos necessitam de doses de reforço periódicas para manter o sistema imunológico preparado contra agentes infecciosos que continuam circulando no ambiente.
Segundo a médica-veterinária Mayara Gimenez, o abandono do calendário vacinal representa um dos principais fatores de risco para o surgimento de enfermidades que poderiam ser facilmente evitadas.
“Quando o calendário deixa de ser seguido, o animal volta a ficar suscetível a agentes que continuam circulando no ambiente. A imunização precisa ser mantida ao longo da vida para garantir uma proteção eficaz”, explica a especialista.
Doenças continuam presentes no ambiente
Um dos exemplos mais preocupantes citados pela veterinária é a cinomose, considerada uma das doenças virais mais graves que acometem cães não vacinados.
Altamente contagiosa, a enfermidade pode afetar simultaneamente os sistemas respiratório, gastrointestinal e nervoso central do animal. Os sintomas variam desde febre, secreções nasais e oculares, vômitos e diarreia até convulsões, alterações motoras e dificuldades de locomoção.
Além da elevada taxa de mortalidade, a doença frequentemente deixa sequelas neurológicas permanentes nos animais que conseguem sobreviver.
“É uma doença devastadora e que deixa sequelas neurológicas irreversíveis. Muitos cães sobrevivem, mas permanecem com tremores, dificuldades motoras e outros comprometimentos para o resto da vida”, alerta Mayara Gimenez.
A especialista ressalta que, apesar dos avanços da medicina veterinária, a prevenção continua sendo a ferramenta mais eficiente no combate às enfermidades infecciosas.
“A prevenção continua sendo a estratégia mais segura para proteger a saúde dos animais. Muitas das doenças que enfrentamos diariamente nos hospitais poderiam ser evitadas ou ter sua gravidade significativamente reduzida com a vacinação em dia”, reforça a profissional da WeVets.
Vacinas essenciais e complementares
De acordo com os especialistas, o programa de imunização é dividido em duas categorias principais: vacinas essenciais e vacinas complementares.
As vacinas essenciais são consideradas indispensáveis para todos os cães e gatos, independentemente da raça, idade ou estilo de vida. Elas protegem contra doenças de alta incidência e grande impacto na saúde animal.
Já as vacinas complementares são recomendadas conforme fatores específicos, como rotina, ambiente frequentado pelo pet, contato com outros animais e condições epidemiológicas da região onde vive.
Entre os imunizantes obrigatórios está a vacina antirrábica, destinada tanto aos cães quanto aos gatos. Além de proteger os animais contra a raiva, uma zoonose grave que pode ser transmitida aos seres humanos a imunização é exigida por legislação sanitária em diversas localidades do país.
Veterinários destacam ainda que animais que frequentam parques, creches, hotéis para pets, praças públicas ou convivem com outros animais apresentam exposição maior a agentes infecciosos, tornando ainda mais importante a atualização constante do calendário vacinal.
Responsabilidade que protege toda a família
Além de preservar a saúde dos animais, a vacinação desempenha papel fundamental na proteção da saúde pública. Algumas doenças podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, tornando a imunização uma medida de responsabilidade coletiva.
Os profissionais orientam que os tutores mantenham acompanhamento veterinário regular e consultem um especialista para verificar se as vacinas estão em dia. Em muitos casos, animais adultos que ficaram anos sem reforço podem precisar de um protocolo específico para recuperar a proteção imunológica adequada.
Com a medicina preventiva ganhando cada vez mais espaço na rotina dos cuidados veterinários, a conscientização dos tutores torna-se fundamental para reduzir a incidência de doenças evitáveis e garantir mais qualidade de vida aos pets.
A recomendação é clara: independentemente da idade, manter a carteira de vacinação atualizada continua sendo um dos gestos mais importantes de amor, responsabilidade e proteção para os companheiros de quatro patas.
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