A ex-deputada federal Carla Zambelli destinou uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O recurso seria aplicado na produção da série audiovisual conservadora “Heróis Nacionais Filhos do Brasil que não se rendem”, mas acabou retido após questionamentos levantados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o projeto cultural também recebeu apoio financeiro de parlamentares alinhados ao bolsonarismo, entre eles Marcos Pollon, Alexandre Ramagem e Bia Kicis. A proposta previa a realização de episódios com temática histórica e conservadora, abordando figuras e acontecimentos ligados à formação do Brasil, como Portugal, o padre José de Anchieta e Dom Pedro I. Além da série, o projeto incluía a realização de um espetáculo musical, ainda sem detalhes oficialmente divulgados.
O TCU identificou inconsistências no processo de transferência dos recursos públicos. Entre os principais pontos levantados está o fato de o montante ter sido depositado diretamente em uma conta vinculada ao governo do estado de São Paulo, e não à entidade responsável pela execução do projeto. Segundo a reportagem, a ANC não chegou a receber efetivamente os valores previstos na emenda parlamentar.
As apurações ampliaram o debate sobre a destinação de verbas públicas para produções audiovisuais de viés ideológico e sobre os mecanismos de fiscalização das chamadas emendas parlamentares. O caso também reacendeu discussões em torno da transparência na aplicação de recursos destinados à cultura e ao entretenimento.
Em nota, a deputada Bia Kicis afirmou que sua emenda foi direcionada exclusivamente à produção da série “Heróis Nacionais”, negando qualquer relação com o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. A parlamentar destacou ainda que a destinação do recurso ocorreu dentro das normas previstas para apoio a projetos culturais.
O episódio ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre emendas parlamentares e à intensificação do debate político em torno do financiamento de iniciativas culturais associadas a grupos ideológicos. Enquanto aliados do ex-presidente defendem o projeto como uma valorização da história nacional sob uma ótica conservadora, críticos questionam o uso de recursos públicos em produções com potencial caráter político-partidário.
Até o momento, nem a Academia Nacional de Cultura nem Karina Ferreira da Gama se pronunciaram publicamente sobre os apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União.





