Agora é lei. O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 896/2023, que inclui a misoginia no escopo da Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989), promovendo uma mudança significativa no enfrentamento à violência de gênero no país. A nova legislação estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para casos de injúria misógina quando mulheres são ofendidas, humilhadas, constrangidas ou desqualificadas em razão do seu gênero.
A medida representa um avanço jurídico importante ao reconhecer que ataques verbais e comportamentais baseados no gênero não são apenas ofensas isoladas, mas manifestações estruturais de discriminação. Na prática, a legislação endurece o tratamento penal contra condutas que historicamente foram naturalizadas em diferentes espaços da sociedade, como no ambiente de trabalho, na política e nas redes sociais.
Durante os debates no Congresso Nacional, parlamentares destacaram exemplos recorrentes de falas consideradas misóginas, muitas vezes disfarçadas de “brincadeiras” ou comentários cotidianos. Expressões como “você está de TPM?” ou “lugar de mulher é na cozinha” foram citadas como formas de deslegitimar a presença feminina, reforçar estereótipos e silenciar vozes. Para os defensores do projeto, esse tipo de linguagem contribui para perpetuar desigualdades e normalizar a inferiorização das mulheres.
Especialistas em direito e políticas públicas avaliam que a inclusão da misoginia na Lei do Racismo confere maior rigor às punições e amplia os instrumentos legais disponíveis para responsabilizar agressores. Isso porque a legislação passa a tratar essas condutas com a mesma gravidade atribuída a outros tipos de discriminação já previstos na norma, como aqueles baseados em raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Além do aspecto punitivo, a nova lei também tem caráter pedagógico. Ao tipificar de forma mais clara a injúria misógina, o texto legal busca provocar uma mudança cultural, incentivando o respeito e a igualdade de gênero. A expectativa é que a medida contribua para reduzir práticas discriminatórias e fortaleça a proteção às mulheres em diferentes contextos sociais.
Organizações da sociedade civil e movimentos de defesa dos direitos das mulheres comemoraram a aprovação, ressaltando que o reconhecimento legal da misoginia é um passo essencial no combate à violência simbólica e psicológica. Ainda assim, especialistas alertam que a efetividade da lei dependerá de sua aplicação rigorosa e da conscientização da população.
Com a nova legislação, o Brasil dá mais um passo no enfrentamento à discriminação de gênero, sinalizando que atitudes e discursos que inferiorizam mulheres não serão mais tolerados e estarão sujeitos a punições mais severas.





