Olhos vermelhos, irritados e lacrimejando são sinais clássicos da conjuntivite, uma condição caracterizada pela inflamação da conjuntiva, a membrana fina e transparente que recobre a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. Apesar de ser considerada comum e, na maioria dos casos, benigna, a doença exige atenção, já que pode ter diferentes causas e, consequentemente, demandar abordagens distintas de tratamento.
A conjuntivite pode surgir ao longo de todo o ano, mas apresenta maior incidência em períodos de calor intenso. As altas temperaturas favorecem a proliferação de vírus e bactérias, enquanto a baixa umidade do ar compromete a lubrificação natural dos olhos, tornando-os mais vulneráveis a irritações e infecções. Soma-se a isso o aumento de aglomerações em determinadas épocas, fator que contribui diretamente para a disseminação da doença.
Nos últimos anos, o cenário epidemiológico tem chamado a atenção de autoridades de saúde. Em São Paulo, por exemplo, dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam que, em 2024, foram registrados 71 surtos e 180 casos da doença. Já em 2025, os números cresceram significativamente, alcançando 102 surtos e 250 casos. A tendência de alta também foi observada em outros estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, indicando um padrão de expansão que preocupa especialistas.
De acordo com profissionais da área, a conjuntivite pode ser classificada principalmente em três tipos: viral, bacteriana e alérgica. A forma viral é a mais comum e altamente contagiosa, sendo frequentemente associada a surtos em ambientes coletivos. Já a bacteriana também apresenta potencial de transmissão, mas costuma exigir tratamento com antibióticos específicos. A conjuntivite alérgica, por sua vez, não é contagiosa e está relacionada a fatores como poeira, ácaros e pólen.
A prevenção, segundo especialistas, ainda é a principal aliada no combate à doença. Medidas simples de higiene podem reduzir significativamente o risco de contágio. Evitar coçar os olhos, lavar as mãos com frequência e manter objetos de uso pessoal devidamente higienizados como toalhas, travesseiros, lentes de contato e maquiagens são práticas essenciais para conter a propagação.
Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente às formas viral e bacteriana da doença. “Esses germes se espalham facilmente em superfícies contaminadas e mãos não lavadas, sobretudo em ambientes de contato próximo, como escolas e creches”, explica a oftalmologista Claudia Faria, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Especialistas também alertam para a importância de não compartilhar itens pessoais e de evitar a automedicação, prática que pode agravar o quadro ou mascarar sintomas mais graves. Em caso de sinais persistentes, dor intensa ou alteração na visão, a recomendação é procurar avaliação médica imediata.
Embora, na maioria das vezes, a conjuntivite evolua sem complicações, o aumento recente de casos reforça a necessidade de vigilância, informação e cuidados básicos atitudes que fazem a diferença para proteger a saúde ocular da população.





