Após o encerramento da janela partidária e do prazo para desincompatibilização, etapa em que ocupantes de cargos públicos precisam se afastar de suas funções para disputar eleições , o cenário político brasileiro entra em uma nova fase, marcada por intensas articulações nos bastidores. O foco agora recai sobre a formalização de alianças estratégicas entre partidos, com um objetivo claro: ampliar o tempo de exposição no rádio e na televisão durante a propaganda eleitoral gratuita, prevista para começar em 28 de agosto.
Esse tempo, considerado um dos ativos mais valiosos de uma campanha, segue critérios definidos pela legislação eleitoral. Do total disponível, 90% são distribuídos proporcionalmente ao tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados, refletindo diretamente a força política conquistada nas urnas. Os 10% restantes são divididos de forma igualitária entre os partidos que atingiram a chamada cláusula de barreira mecanismo que estabelece um desempenho mínimo para acesso a recursos e estrutura partidária.
Levantamento realizado pelo cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio, e divulgado pelo portal G1, aponta que a Federação União Progressista formada por União Brasil e Progressistas (PP) deverá liderar o tempo de propaganda eleitoral, consolidando-se como a principal força nesse quesito. Na sequência aparecem o Partido Liberal (PL) e a federação composta por PT, PCdoB e PV.
O estudo utilizou como base a composição da Câmara dos Deputados eleita em 2022 e desconsiderou o partido Novo, que não alcançou a cláusula de desempenho naquele pleito. A projeção detalha o tempo estimado de propaganda para os candidatos à Presidência da República:
- Federação União Brasil (UP): 106 deputados 2 minutos, 28 segundos e 19 centésimos
- PL: 99 deputados 2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos
- Federação PT, PCdoB e PV: 81 deputados 1 minuto, 59 segundos e 5 centésimos
- MDB: 42 deputados 59 segundos e 54 centésimos
- PSD: 42 deputados 59 segundos e 54 centésimos
- Republicanos: 40 deputados 56 segundos e 89 centésimos
- Federação PSDB Cidadania: 18 deputados 31 segundos e 72 centésimos
- Podemos: 18 deputados 27 segundos e 77 centésimos
- PDT: 17 deputados 26 segundos e 42 centésimos
- Federação PSOL-Rede: 14 deputados 23 segundos e 78 centésimos
- PSB: 14 deputados 23 segundos e 78 centésimos
- Federação PRD-Solidariedade: 12 deputados 22 segundos e 48 centésimos
- Avante: 7 deputados 13 segundos e 21 centésimos
Apesar da ampla distribuição de tempo entre as legendas, um fator decisivo pode restringir significativamente o número de candidatos com acesso à propaganda eleitoral. Caso se confirmem as pré-candidaturas anunciadas até o momento, apenas três partidos PT, PSD e PL terão direito ao tempo de rádio e TV na disputa presidencial. Isso ocorre porque somente essas siglas cumpriram a cláusula de barreira nas eleições de 2022.
Com isso, nomes já colocados no tabuleiro político, como Romeu Zema (Novo), Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão), ficariam fora da propaganda eleitoral gratuita, o que representa uma desvantagem significativa em termos de visibilidade e alcance junto ao eleitorado.
Diante desse cenário, a corrida por alianças ganha ainda mais relevância. Partidos do chamado Centrão, conhecidos por suas robustas bancadas no Congresso Nacional, tornam-se peças-chave nas negociações. A adesão dessas siglas pode representar não apenas mais tempo de exposição, mas também maior capilaridade política e estrutura de campanha.
Nos corredores de Brasília, a movimentação é intensa e, muitas vezes, silenciosa. Em um ambiente onde cada segundo na televisão pode significar milhares de votos, a engenharia política se torna decisiva e as alianças, mais do que nunca, passam a definir os rumos da disputa presidencial no Brasil.





