O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Costa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3), em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior de São Paulo, suspeito de feminicídio contra a própria esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana. A prisão foi determinada pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM), com base em elementos reunidos ao longo das investigações.
De acordo com o mandado de prisão, o militar é apontado como autor de uma série de agressões praticadas contra a vítima ao longo do relacionamento. Os indícios levantados pela investigação descrevem um histórico de violências múltiplas física, psicológica e patrimonial que teriam sido recorrentes e progressivas.
Na decisão judicial, o TJM destaca que o conjunto de provas reunidas até o momento evidencia uma relação conjugal marcada por conflitos intensos e constantes episódios de violência doméstica. “O conjunto probatório até então produzido revelou indícios de uma relação conjugal profundamente conflituosa, marcada por reiteradas evidências de violência doméstica e familiar”, diz o documento.
Ainda segundo a decisão, também foram identificadas atitudes consideradas incomuns por parte do investigado nos momentos que antecederam e sucederam o acionamento das equipes de socorro, o que reforçou as suspeitas e contribuiu para o avanço das medidas cautelares.
As investigações apontam que Gisele Alves Santana era submetida a um ambiente de controle e opressão. Relatos indicam que a policial sofria ameaças frequentes, comportamento possessivo por parte do marido e monitoramento constante de suas atividades, inclusive no ambiente de trabalho. O isolamento social também teria sido imposto de forma gradual, restringindo sua convivência com colegas e pessoas próximas.
Outro ponto destacado no inquérito é a limitação profissional imposta à vítima. Segundo apuração, Gisele era impedida de exercer determinadas funções, especialmente aquelas que envolviam interação com colegas do sexo masculino. Esse tipo de conduta é caracterizado como violência patrimonial, por interferir diretamente na autonomia e na vida profissional da vítima.
A conclusão do inquérito ressalta ainda que o suspeito teria utilizado sua posição hierárquica dentro da corporação como instrumento para ampliar o controle e a violência exercida sobre a esposa. Para os investigadores, esse fator foi determinante para intensificar o desequilíbrio de poder na relação.
“Nesse sentido, é possível afirmar que parte significativa das condutas violentas foi concretizada ou intensificada justamente em razão da ascendência hierárquica exercida pelo investigado”, aponta o relatório.
A decisão da Justiça Militar também enfatiza a gravidade do caso ao destacar que a situação ultrapassa os limites de um crime militar ou de um conflito conjugal. Para o tribunal, trata-se de um episódio de violência doméstica agravado pela posição de autoridade ocupada pelo suspeito.
“O que se evidencia é algo mais grave: a prática de violência doméstica em que a autoridade estatal, simbolizada pela posição hierárquica do agressor, acabou por reforçar e ampliar o desequilíbrio de poder existente na relação conjugal, tornando ainda mais vulnerável a posição da vítima”, conclui a decisão.
O caso segue sob investigação, e o tenente-coronel permanece à disposição da Justiça.





